quinta-feira, 12 de julho de 2007

Jô Soares: escritor.

- - - de Rafael, para o na Vitrine.

O botija mais simpático (leia-se pernóstico) da TV adentrou pelo cerebrino mar da literatura e, pela nobilíssima Companhia das Letras, lançou duas obras primazes.



Acho que me saí bem dando uma de Jô Soares. Quem sabe. Dizem que estilo não se discute...

Independente do vocabulário, eu não diria rebuscado, mas arcaico mesmo, mal-usado e de estrutura repetitiva, O Xangô de Baker Street e O Homem que Matou Getúlio Vargas conseguem, ainda assim, um lugar ao sol. Eu mesmo gostei bastante de ambos. Até cheguei a rir em alguns momentos. Mas, sinceramente, ô carinha enjoado esse Jô!

O Xangô de Baker Street é um delicioso "romance cômico-policial", desenrolado no Rio de Janeiro do século XIX.
Quando um violino Stradivarius é roubado , deixando o imperador dom Pedro II em maus lençóis, sua famosa amiga Sarah Bernhardt o indica um não menos famoso detetive: Sherlock Holmes. Isso mesmo, as lendárias personagens de sir A. Conan Doyle vêm parar em terras tupiniquins para desvendar os crimes do primeiro serial killer da história. Trazendo de forma fictícia-porém-real personalidades como Chiquinha Gonzaga e Olavo Bilac, Jô faz uma reconstrução bastante plausível do passado de nosso país e até das possíveis origens de certas particularidades brasileiras, como a inesperada invenção da caipirinha pelo doutor Watson. A mistura de realidade e ficção caiu muito bem. Além da paródia à literatura policial. No entanto, devido aos motivos expostos acima, o filme é melhor.





Apesar de ser defendido como o livro da maturidade de Jô, O Homem que Matou Getúlio Vargas me parece, porém, ainda mais tolamente rebuscado que O Xangô. Entendam. Eu não tenho problemas com palavras difíceis. Eu tenho problemas com pessoas que se metem a falar difícil sem necessidade. Exemplo: o livro, outra paródia, agora ao estilo bibliográfico, conta as memórias de um anarquista chamado Dimitri Borja Korozec. Certo. Quis o destino que tal protagonista tenha nascido com um indicador a mais em cada mão, logo, o anarquista tem 12 dedos. O nosso amigo Jô, cansado de escrever a palavra "dedo", assim escreveu: "...era causado pelo fato de ele ter doze artelhos." (pág. 169) Quem estiver com dicionários, que não me deixe mentir, porque "artelho" significa podáctilo, ou dedo do pé. Asseguro que a essa parte do livro eu nem lembrava mais dessa peculiar característica. Se ele escrevesse dedo não incomodaria vivalma. Não. Preferiu escrever besteira.
O livro é quase tão divertido quanto o anterior, pelos mesmos motivos. Dimitri é um assassino de tiranos extremamente azarado. Teria sido ele quem quase matou o arquiduque Francisco Ferdinando, o presidente Roosevelt... Além de topar outras personalidades como Marie Curie e Al Capone. Ótima reconstrução épica e engraçado em certos pontos.

Aliás, que o cara é inteligente, disso poucos teriam dúvida. E, no final, eu acredito que o saldo seja positivo. É um livro pra se ler, guardar, e depois, nunca mais. Tenho dito.

3 comentários:

Vinny disse...

É, pra ser franco nem do programa dele eu gosto. Agora, o livro? Só se for emprestado, comprar acho que não.

Hoje em dia ele chega a apelar até pra essas piadinhas prontas que se recebem no e-mail.

Prefiro assistir ao programa da Marilia Gabriela Entrevista, mesmo ela nunca tido escrito um romance =)

la texana disse...

então, eu gosto dos dois livros, xango é a unica encarnação do sherlock que eu suporto, mas verdade, prefiro o filme. O homem... é ainda mais divertido, e o melhor é que você perde a noçao que quem escreveu foi o jô. fica aquela duvida, se ele é tão engraçado em escrito pq consegue ser tão *pernostico*(desde quando isso é ruim?) ao vivo.
quanto ao rebuscamento, eu como uma escritora preciosista entendo o q assalta o escritor, vc quer por quer passar seu eruditismo ao leitor e peca por exagero. talvez seja mal de pernosticos. embora, eu ache que nos ultimos tempos uma tendencia informal tenha se arrebatado d mim e eu nem ando ligando pressas coisas.

Renata disse...

que bom que o filme é melhor, eu já assisti duas vezes e gostei muito XD

na Vitrine.