quarta-feira, 18 de julho de 2007

Harry Potter e a Ordem da Fênix

- - - de Tereza, para o na Vitrine.

Gênero: Drama
Tempo de Duração: 138 min
Direção: David Yates
O terceiro e o quinto filme da série Harry Potter são os melhores. Por que? Dizem que a maneira mais fácil e eficaz de chamar a atenção do ser humano é através do sexo e da violência. O terceiro filme fala sobre sexo, esse sobre violência. Por que o terceiro ainda é melhor? Bom...

A cena que resume o que é o quinto filme se dá perto do final, quando Dolores Umbridge (Imelda Staunton), sem aviso, sem pensar nas consequencias, com barulho em meio ao silêncio dá um tapa violento em Harry. É isso que David Yates, o quase novato diretor, faz com o espectador, machuca tão rápido que ele mal percebe, mas ainda assim dói.

O filme é político e só por isso já carrega em si a violência. A violência de um governo que manipula cidadãos e a impressa a pensar que a guerra não existe, que tudo não passa de traição, traição à nação, traição à toda uma raça. A negação pode ser a maior das violências e não é por acaso que o Ministro (cargo mais democrático impossível) tem sua foto estampada aos molde de um certo Fuher, só faltando uma suástica para ficar mais claro. Mas Harry Potter é, felizmente, mais sutil que isso.

Até agora foram dois vilões, e ainda nem comecei a falar do Voldemort. E adivinhem, não é tudo mais um plano maléfico para a conquista do mundo, os "mocinhos" fazem mal uns aos outros. O mundo não é mais o que era antigamente.

Voltando a Umbridge, até agora a mais eficaz vilã dos filmes, começa achando que sua influência se dará através do soft power (já viram "O Dia em que o Brasil esteve aqui?") mas perde o controle rapidamente diante da convicção de Harry, uma mentira contada cem vezes se torna uma verdade, mas é mais difícil convencer aqueles que já sofreram demais por causa dela. Sangue mancha a reputação de Hogwarts, finalmente deixando de ser percebida como um refúgio, e não é sangue de batalhas. As palavras são mais fortes do que a espada. Umbridge não é nada burra.

Felizmente Hermione Granger, assumindo posto de segunda protagonista, também não. Acertadamente Yates expande o tempo dela no filme, difícil uma cena em que sua presença, física ou não, não é sentida. Só um personagem complexo como ela compreenderia tudo o que está se passando, e por isso muitas vezes o ponto de vista é o dela, ela observa muito e passa boa parte do filme sentindo e maquinando. Porém como é uma jornada emocional, apenas quando a professora que ela menos respeita é humilhada publicamente resolve tomar uma atitude. A cena é excelente inclusive. Emma é capaz de em alguns segundos demonstrar tudo o que se passa na mente e coração do personagem, sem falar nada. Você quase pode ver a linha de raciocínio e o segue sem grandes problemas. Rebelião é a resposta, quebrar com o sistema que ela tanto ama e tira forças é a melhor saída.

Pode-se argumentar que ela é o cerébro do trio mas aqui ela atua como o coração. Nada deixa de ser racional, mas o que a motiva é o que ela sente, essa vontade de deixar o mundo mais seguro nem que seja as suas custas.

A cena em que o espelho se quebra com a imagem dela refletida diz tudo. Esqueçam aquela antiga Hermione, aquela velha imagem, a nova vai guiar vocês, a nova é uma líder.

Pela primeira vez o filme focaliza na amizade dos três, e talvez por isso pela primeira vez Rony não me irrita. Ele age com um bom amigo que já se acostumou a ser o menos especial da turma e que não se incomoda com isso. As pequenas cenas em que eles estão apenas conversando, coisas importantes ou não, são jóias. A ação fica pra depois, quando Harry finalmente entende que eles estão nisso juntos.

A tensão permeia o tempo todo. É o menos engraçado (e engraçadinho) de todos, a única cena em que eu ri foi a da apresentação da personagem tragicômica Luna Lovegood, não que ela seja uma piada, mas sim porque ela é fodástica demais. Uma sabedoria tão excentrica ficaria ridícula nas mãos de uma atriz menos competente, mas Evanna Lynch dá conta do recado. Ela foi feita para o papel, comparando-se apenas à escalação da Emma, anos antes. Em momento algum perde-se a impressão que ela sabe mais do que todos os outros personagens juntos, até mesmo quando está sendo judiada. Ela já aprendeu a lidar com a violência e daí vem seu charme. Harry tem que aprender dela também.

Não vale muito a pena discorrer sobre Neville e Gina, já que os papéis são mais que secundários. Se eu não tivesse lido os livros provavelmente me perguntaria o que eles estão fazendo quando invadem o ministério, por que eles estão ali. Sejamos francos, os gêmeos tem uma papel mais importante que esses dois.

Quanto ao Harry, acho que concordo com a maioria das escolhas feitas nesse filme. Cortarem as inúmeras crises emo que o rapaz tem no livro e condensa-las em apenas uma foi o melhor caminho, existe assim mais espaço para o crescimento emocional verdadeiro. Finalmente mais confortável no papel de líder (com um empurãozinho de Hermione, é claro) as cenas do DA são uma delícia, se houve algo light foram elas. Mas não devemos esquecer que todas tinham um objetivo maior, defesa, para se defender de Voldemort, mas também para se defender da opressão. Para se defender da violência imposta pelos "mocinhos".

E quando finalmente ele tem que pôr essa defesa a prova, falha na metade do teste. Aprendeu a contornar e evitar a opressão, mas mesmo assim todos seus amigos, seu companheiros de batalha, caem sob jugo inimigo e seus destinos estão em suas mãos. E é hora de fazer a escolha mais difícil, condenar o mundo mágico (e o trouxa) às trevas ou assistir os amores da sua vida serem mortos na sua frente, quando você podia evitar. Harry faz a escolha certa, e mesmo assim paga. Daniel nunca esteve melhor do que na cena do exorcismo, com um gesto, um olhar, ele se torna Voldemort, no outro volta a ser Harry. Novamente, tão rápido e violento que você mal percebe. Você mal respira. E o desfecho é tão desesperançoso que dá vontade de chorar. Chorar pela beleza, não pela tristeza.

Essa é a história básica do filme, mas algumas coisas ainda valem a pena mencionar. Talvez seja confuso entender porque eu afirmei que o terceiro filme é sobre sexo se é nesse que Harry finalmente beija a sem-gracinha Cho Chang. Bom, beijo sem química não significa nada, e se algo falta aos dois é isso. Já a Emma tem química até com um poste então encerro meu caso.

Voldemort é mais assustador quando não está presente, principalmente quando na batalha com Dumbledore fica claro que ele leva certa desvantagem. Gosto mais deles nos sonhos (e que cenas mais lado negro da força são aquelas). Mas eu gosto muito de todo o simbolismo do Voldemort rasgando o poster propagandista de Fudge. Um mau maior.

O filme é pontuado pelo silêncio e pela escuridão, o ritmo é fantástico, sem deixar de ter brincadeiras de câmera e referencias que só enriquecem, esse é um filme de verdade, não apenas uma adaptação de livro. O momento mais barulhento e colorido, protagonizado pelos gêmeos, é logo quebrado pela literal queda de Harry. E que cena é aquela! Sei que câmera lenta é brega, mais funciona tão bem ali! De novo, Emma Watson faz tão bem o papel de protetora.

Saí do filme sem fôlego e com gostinho de quero mais. Esse merece um lugar na estante.

17 comentários:

Rafael disse...

Bom, a história com certeza é a melhor, porque estamos falando do melhor livro. A adaptação foi ótima, os atores todos excelentes. Mas, vou colocar minhas críticas, que a Tereza já ouviu. Afinal, esse filme me decepcionou por falta de atenão aos detalhes. Podia ter sido perfeito, não foi.
-a trilha sonora, pela primeira vez, apenas cumpriu sua função... não foi fantástica.
-os efeitos de câmera eram primários demais, as saídas do castelo...
-o voldemort na cabeça do harry, com colinas no fundo? parecia slide de festa de formatura!
_
outra coisa qse insignificante que me incomodou mto: qndo eles voam nos testrálios, indo pro ministério. ninguém nem comentou que eles, exceto o harry e a lunna, estavam voando no "nada". não custava nada qlqr personagem comentar isso, e nem ia aumentar a cena, e poderia até ter sido engraçado. eu sei, é mto pequena essa crítica, mas como essas tenho para o filme todo. por isso digo que faltou atenção aos detalhes.

Rafael disse...

é, copiei os scraps na cara dura. foi só preguiça de escrever tudo de novo.
=P

la texana disse...

porque os coment�rios t�o com erro de codifica�o?
comentar o coment�rio, como eu j� falei pro rafael, realmente n�o prestei aten�o na trilha sonora, o que eu achei mais obvio foi o silencio q eu achei extremamente pertinente. mas o rafa que � m�sico ent�o eu deixo ele reclamar disso.
quanto � c�mera, esse eu discordo totalmente, acho que em alguns momentos superou at� o terceiro filme, amei os enquadramentos, os filtros, os closes e as marca�es, lindo de se ver.
E a hist�ria do voldemort na cabe�a do harry ae q eu discordo mais ainda, pra falar a verdade foi um dos momentos favoritos no filme e funcionou extremamente bem. brega as vezes funciona tamb�m.

se � pra falar mau, vamos criticar terem mudado a historia da cho, foi desnescessario e estupido. eu n�o quero sentir simpatia por ela.

relendo a critica eu percebi o quanto q eu sou paga pau da emma watson.

Íris disse...

Devo concordar com o Rafael quanto aos testrálios, pq ficou sem sentido algum, no início do filme só os dois viam e do anda todos passam a ver.
Outra, faltaram detalhes importantes;
A batalha final era bem mais sanguinária, cadê o rony todo quebrado e o neville torturado????? dentre outras coisas.
Por fim, ninguém merece a "alma" do Black sendo levada pelo portal né?!!!
E ninguém merece as filmagens do filme, q cortes toscos!!!!!!!!

=D

la texana disse...

ah, lembrei, os thestrals, na cena da luna ela fala que só quem vê alguem morrendo na sua frente que é capaz de ve-los. não havia necessidade alguma de comentar novamente (realmente é uma reclamação bem fútil). já disse e repito, amo a filmagem desse filme, adoro os cortes, tanto tecnicamente quanto em ritmo.
eu gostei da maneira como retrataram a batalha, como se eles tivessem uma estrategia, cada um defendendo um corner, um por todos e todos por um. e eu nunca tive problema nenhum com a morte do sirius, nem no livro e muito menos no filme. gostei de ter ficado definitivo que ele morreu, um avada kedrava no meio das fuça pra acabar com a polemica.

Renata disse...

É, deixar vc fazer a crítica foi a melhor opção, minha opinião não é tão forte quanto à sua talvez porque o quinto não é meu favorito, longe disso acho um dos mais chatos... Mas do sexto filme eu faço tá!?

Eu só não gostei de uma coisa no filme, assim, me incomodou bastante: TEVE MUITO POUCO DRACO! ISSO É REVOLTANTE.
Nham.

la texana disse...

sabia q vc ia reclamar disso, hahaha.

la texana disse...

ah, e eu pensei q pelo menos vc ia comentar as referencias a star wars, rê. o sexto filme (e dependendo, o sétimo livro) são todos seus.

Rafael disse...

Oh. Eu gostei da Cho sim. Eu sou simpático a ela no livro e obviamente mais ainda no filme.
Os cortes foram toscos sim.
Draco é insignificante, e usaram bem o Snape também. Mas o flashback do pai do Harry foi sem grança. Faltou a Lilian e faltou evidenciar a malícia do James.
A cena final ficou realmente sem muito sentido. Foi muito rápido, pareceu meio capenga.
E a reclamação dos testrálios não é fútil. É pequena, mas faria mta diferença.

la texana disse...

fútil foi a palavra errada, mas ainda acho q a menção anterior foi o suficiente. então, meu negocio com a cho foi q o filme me fez ser simpatica a ela e eu não preciso nem quero, disso.
os cortes não foram toscos e a gente vai brigar por causa disso até o fim dos tempos.
o tal flashback, eu odiei tanto o james no livro, mas tanto, q eu até fiquei feliz de ter sido curto no filme, ia acontecer a mesma coisa q aconteceu no quarto, minha raiva ia ser tanta q ia interferir na apreciação do resto do filme.
eu achei o final triste...

Renata disse...

Para mim foi um bom final. O Rafael é um chato, se tem uma gota de sentimentalismo ele já sai reclamando ¬¬

A Lílian fez falta, é verdade...

Rafael disse...

cena final que eu estava falando = batalha final que a leila falou.
¬¬. pareceu que os comensais tavam deixando muito barato.

Íris disse...

Caraca que rali que tá esse lugar!!!!

A Cho pra mim não faz diferença assim como o draco. Porém se minha vaga memória me faz lembrar de algo, quem descobre a sala deles da AD é o Draco né?! E a Cho tinha uma amiga e ela q contou, mas isso seria insignificante!!!!!
E no passado do Snape, o harry via muitas coisas importantes né?! Caraca, eu lembro das aulas serem duelos entre eles. Num tem jeito, o Snape faz o livro ser divertido!!!!
E discordo de vc TEX com relação a morte do Black pq no livro passa aquele mistério de 'ele caiu no portal e o q será q aconteceu com ele?' e foi trash d+ essa cena, se eles queriam botar ele pra morrer de vez q desse uma ênfase mais interessante, ora bolas!!!!!

Ah é!!! A cena do Harry conversando com o Dumbledore foi completamente dispensável.

Comentário idiota, mas só pra ver quem prestou atenção nisso: A Gina não teve uma fala em todo o filme!!!!!

Chega de escrever!!!

Rafael disse...

é mesmo, acho que vou fazer um novo post pra cortar a discussão. =P
A morte do Sirius foi mesmo sem emoção, mas acho que não foi isso o que a Te disse.
Ahm, conversa do Harry e do Dumbledore eu achei boa. No livro tem umas 30 páginas deles conversando, tudo bem que pouquíssimas informações são úteis, mas fingir q não existiu... não btf, ia parecer que o Dubledore do nada resolveu ser estúpido. Foi uma conversa rápida e cumpriu bem seu papel.
E a Gina é uma personagem morta no livro também. Acredito que ela só tenha aparecido no filme pra, quando ela aparecer no sexto, as pessoas lembrarem de quem estamos falando mesmo...

Tulipa disse...

Pega fogo na Vitrine!!! AHuiHAuiHAui!! QUero só ressaltar alguns pontos tb pra não ficar repitindo muito o que todos já disseram:

1- Amei a Luna Lovegood. Passou a mesma sensação de "lunática"/intrigante/sabe-mais-do-que-parece que no livro.
2- A Umbridge ficou irritante, e isso me irritou. Odiei. Sempre achei ela mais pro lado Detestável da cosia. Sarcástica, e não irônica, se me cabe dizer.
3- A cena dos trestálios foi furada sim. Minha amiga do meu lado que não leu o livro veio me perguntar pq é que todos estavam montados se só o Harry e a una podiam vê-los.
4- Concordo com o rafael. Não gostei da filmagem, as mudanças de quadros me passaram a sensação de algo "mal-costurado".
5- Faltou emoção na luta final. Nem me deu frio na barriga. O impacto do Avada Kedrava também se perdeu, a meu ver, mais por causa do enquadramento da filmagem junto ao timing que a cena carecia.
6- Ponto positivo pra possessão Harry! Ficou fodástica.
7- Também acho que deviam ter mostrado mais das memórias do Snape. As crises do Harry ficam parecendo piti pela "falta de motivos suficientes".
8- Especial destaque pra Beatrix. Ela ficou realmetne medonha!!! xD

Hm... por enquanto é só! =P

la texana disse...

yow, viu o q a falta de conversas cara a cara faz? quando eu chegar em bsb não vai ter mais nada pra discutir.

"Ah é!!! A cena do Harry conversando com o Dumbledore foi completamente dispensável."

eu sempre acho as conversas do harry com o dumb dispensaveis, mas o pessoal do filme parece gostar (povo estranho).


Ah, mas a Umbridge é a mais legal,amo um bom vilão e ela cumpriu o papel direitinho.

e eu não tenho problema algum em cortarem as crises de humor do harry, eu até gostei dele no filme...

pra mim cena dispensavel seria a da conversa do harry com o sirius sobre o tapete lá, mas eu odeio isso no livro tbm e pelo menos no filme eu fiquei prestando atenção na hermione e no pov dela. sério, eu nem lembro o q eles conversaram.

la texana disse...

eu revi o filme e gostei ainda mais. meu que filme legal.

na Vitrine.