domingo, 31 de agosto de 2008

Turma da Mônica Jovem


- -- de _Renata, para o na Vitrine.


Eu vou voltar a colecionar mangás. Bom na verdade, só um mangá e na verdade, nem mangá é. É um quadrinho brasileiro em estilo mangá.
Eu realmente esperei desde a primeira notícia que saiu sobre na internet (acho que foi em junho) e finalmente pude comprar em uma banca de jornal, depoistado não ao lado das revistinhas infantis e sua versão tradicional (Turma da Mônica mesmo) mas sim entre Full Metal Alchemist e Naruto, a revista de R$ 5,90: Turma da Mônica Jovem.

A capa já chama atenção facilmente com uma Mônica curvelínea fazendo o tradicionalíssimo sinal de V dos mangás e escrito logo acima: "Eles Cresceram!". As páginas são em preto e branco como todo bom mangá mas o jeito de ler é bem brasileiro, de frente para trás.

Maurício de Sousa se mostra muito empolgado com o projeto (pudera, depois de não sei quantas esposas e filhos japoneses, alguma influência o cara ia ter) e é possível perceber que ele deu carta branca para muitos dos elementos apresentados tanto no estilo do quadrinho quanto no roteiro em si.

Bom, vamos lá. É realmente uma proposta interessante. A turma cresceu, e com isso vem algumas mudanças, que são citadas duzentas vezes durante o mangá. O Cebolinha agora é Cebola e não fala mais errado, a não ser quando está nervoso. O Cascão toma banho, mas ainda não gosta de fazê-lo. A Magali come pouco pra se cuidar e a Mônica não é mais gorda, baixinha etc etc. A mudanças em si não me abalaram, mas a cada dois quadrinhos os personagens ou falam sozinhos ou toscamente um com outro em um tom de "Oh, COMO NÓS CRESCEMOS E FICAMOS DIFERENTES, NÉ? " que foi bem irritante. Mas é a 1a edição e os mais lerdos precisam se sentir situados, então tudo bem.

Por outro lado, certas mudanças foram hilariamente interessantes. O anjinho agora parece um mutante de X-Men muito sexy, com o nome feliz de CÉUBOY. A franja do franjinha finalmente parece uma franja normal, a Marina parece um fanart estilo "hotgirl" da Hermione, o Capitão Feio é bonito e tem cabelo comprido e também mudou de nome, para ficar mais estiloso... Poeira Negra. Coitado. Mas enfim.

O legal é rir das características de um mangá clássico que são jogadas na sua cara, com se estivessem sendo sutilmente utlizadas. Cascão e Cebola (é pra acostumar, porque ele não quer ser mais chamado de Cebolinha) colocam os braços atrás da cabeça toda hora, a Mônica com sua linguinha de fora, fazendo carinha de inocente, veinhas raivosas saltando das testas, gotinhas de suor chovendo pelas páginas e por aí vai.

A história já se estabeleceu dentro do mundo da fantasia e do fantástico ( de uma forma muito tosca que eu prefiro nem entrar muito em detalhes porque ficou verdadeiramente mongol, com os pais deles empunhando Katanas e se fazendo de heróis doentes do passado. Senti até vergonha, mas é só não ler muito as falas que melhora), excluindo rapidamente o ambiente escolar (eu crente que ia ser um estilo Malhação de vida) prometido pelos anúncios e pelas propagandas. Os quatro personagens serão inseridos no principais mundos do mangás: Medieval, Futurista, Artes Marciais e ahm não me ocorre agora um título apropriado, mas é tipo Trevas, com vampiros (ah, anime e mangá de vampiro é o que mais tem por aí) e etc.

Esses universos são tipicamente Shonen. Na verdade, quase tudo que essa nova publicação digamos, "pegou emprestado"do Japão, é shonen. A única característica Shojo que eu identifiquei foi o romance em potencial do Cebola com a Mônica. E isso com certeza vai ser uma das maiores expectativas do público com a nova trama. "OK, eles cresceram, agora eles vão se pegar, né?"
Tem gente esperando por isso desde que nasceu, eu inclusive. E eu acho que é bem possível que fique bom, que vire shipper, que a gente torça para que aconteça de forma linda e fofa, que a gente dê gritinhos a cada cena instigante que venha a aparecer e que praticamente enlouqueça a gente, como Sakura e Shoran - Kyo e Tohru - Inuyasha e Kagome e muitos outros já enlouqueceram um dia. Aliás, é bom que seja um romance beeem shojo, porque romance shonen, quando existe algum, é quase sempre extremamente frustrante. Tá aqui um abraço leve e fique satisfeito. Enfim, é só fazer direitinho que pode dar certo.

O lado psicológico e emocional do mangá também foi bem deixadinho de lado. Não esperemos questões existencialistas, com corpos encolhidos no chão, braços envolvendo as pernas e alguém dizendo "eu não quero morrer". Pouquíssimo provável.

Eu meio que acho que o Cebola é o personagem mais "mangástico" dos quatro. Ele é inocente, com um quê de herói por acidente, é apaixonado e vai lutar por esse amor. No verso da revista ele está com uma pose ótima, bem típica de "eu sou um personagem de mangá". Eu adorei.

O gostoso mesmo são as pequenas verossimilhanças. O brinco do Cascão e como ele chama o Cebola de Véi, o CD de Love Songs que o Cebola grava para a Mônica, A Mônica apertando a cabeça do Cebola contra o peito, a Magali querendo chamar a polícia e outras pequenas coisas que simplesmente enriquecem o quadrinho. Tá, acho que pode ser meio exagerado o jeito da Magali e da Mônica se vestirem, mas também acho que poucas adolescentes de classe média conhecem uma das frases mais famosas de Coco Chanel : "Sempre retire a última coisa que você colocou."

O aconselhamento é para maiores de 10 anos, mas ainda não aconteceu nada que não pudesse aparecer nas revistinhas originais. Espero que aconteça, até porque está realmente muito infantil, com diálogos bobos em algumas partes. Deve haver a busca de um equilíbrio. A essência de Turma da Mônica não pode ser perdida, mas o canal agora é outro e uma maturidade vai ser exigida.

Não começou super bem, mas não começou super mal. Pode evoluir facilmente ou pelo menos gradativamente. Minha preocupação maior é que eles não tenham uma história pré-planejada e acabem inventando tudo em cima da hora, como foi em Pokémon e Digimon. Um bom mangá tem sempre seu fim conectado com o início ou pelo menos fazendo sentido com ele.

Histórias sobre crianças para crianças podem ser sem nexo, sem fim, pé, cabeça e corpo. Histórias sobre adolescentes que já foram crianças muito famosas, que são mundialmente conhecidas, que já forneceram muitas alegrias e emoções para outras crianças que atualmente podem nem ser mais crianças, já não tem tamanha liberdade.

Não brinque com fogo, se não souber brincar.

Mas eu tenho fé e recomendo.


E sugiro àqueles que executam todo o projeto: leiam Holy Avenger. Dá para aprender bastante.

na Vitrine.