sábado, 14 de julho de 2007

Ó Paí, Ó

- - - de Rafael, para o na Vitrine.

"Dê passagem à alegria, nem que seja por um dia."


Título Original: Ó Paí, Ó
Gênero: Comédia
Tempo de Duração: 98 minutos
Site Oficial: www.opaio.com.br
Direção: Monique Gardenberg


Independente de se bom ou ruim, eu não tenho medo em dizer que o estilo de Ó Paí, Ó é uma das coisas mais originais que já pude assistir no cinema brasileiro. E tenho plena noção de que essa inovação pode ter sido apenas causada por incompetência, mas, se a diretora Monique Gardenberg arquitetou propositalmente essa grande confusão, talvez ela seja, simplesmente, gênio.

A primeira sensação pós-filme que me veio foi a de que tinha muito personagem para pouca história. E é verdade. Todos eles, sem exceção, têm participação pífia, e apenas se destacam pela excelente atuação dos atores. O filme faria total sentido se qualquer personagem fosse arbitrariamente retirado. Ponto negativo? Me surpreendi comigo mesmo, concluindo que não; porque o grande protagonista da narrativa é o Pelourinho, com toda sua diversidade humana e contradições sociais. Percebi que o filme não é uma novela, um drama... Não se explorou de forma significativa os conflitos de cada um. Mas, em geral, a crítica foi magnânima ao Carnaval da Bahia. À realidade injusta de um povo cujas necessidades o governo – e a sociedade – vira as costas; mas que todo ano deve sorrir para os estrangeiros. Mostrar o melhor do Brasil, para que tenham o que comer. Destaque, no entanto, para o papel de Dira Paes, Psilene (foto), que volta da Europa depois de um caso com um “gringo” e, ao ser perguntada sobre ele, desconversa. Não nos é dado saber seu real paradeiro, mas ficam claros os motivos que lhe trouxeram de volta para o Brasil.

Dira Paes, interpretando 'Psilene'A trilha sonora do filme é ligeiramente irritante. Com direito à Banda Calypso e tudo o mais. Mas dou o braço a torcer e admito que, nesse caso, os fins justificam os meios.

É o tal filme que os mais demagogos diriam “vender a imagem errada do nosso país, afinal, nos Estados Unidos também existe miséria e violência e eles focalizam as produções limpas”. Bom, é verdade. Mas não quero começar uma discussão política. Estou fazendo uma avaliação estilística, por favor. Só vou pontuar que é um filme de realismo cru e visceral. Quem gosta, gosta. Quem não concorda, paciência.

Também a mim, não foi um filme que disse muito. Não despertou a minha paixão, até por falta de familiaridade com o tema – Timbalada, carnaval... É, não é pra mim. Mas, sem dúvida, marcou.

Ó Paí, Ó não é um filme feito para se perder no esquecimento.

2 comentários:

Renata disse...

Engraçado, eu não tive vontade de ver o filme por causa do título, achei tão irritante....
E eu acho um porre também filme sobre a bahia ¬¬ Na verdade acho um saco filme sobre Rio de Janeiro, Ceará ou qualquer parte desse país que tenha praia!!! Todo mundo só se preocupa em mostrar as malditas paisagens e nem fazem o filme direito...
Nham, tá é exagero, mas eu já cansei mesmo;

Rafael disse...

bom, no pelourinho não tem praia.
;)

na Vitrine.