terça-feira, 26 de junho de 2007

A Saga de Emmanuel


de Renata, para o na Vitrine



No meu primeiro post-recomendação, escreverei sobre obras consideradas não exatamente "normais". De acordo com a crença espírita, livros podem ser concebidos por escritores sem eles estarem, ahm... vivos (em um conceito muito pequeno de vida e morte, mas isso não vem ao caso). Pois bem, o espírito Emmanuel é um deles.

Na verdade, ele pode ser considerado o mais importante autor da literatura espírita do Brasil. Em seu trabalho, principalmente através do médium Chico Xavier, somam-se mais de cem obras. Todas carregam lições e esclarecimentos quanto à doutrina e enriqueceram muito os estudos kardecistas. Cinco desses livros porém, destacam-se dos demais.

Paulo e Estevão, Há Dois Mil Anos, Cinquenta Anos Depois, Ave Cristo e Renúncia são os grandes romances históricos do Espiritismo. Emmanuel narra em uma escrita rebuscada e difícil mas de grande vivacidade e beleza, as vidas de personagens reais em épocas especiais da humanidade: o império romano e o surgimento do cristianismo, a descoberta das Américas e a Revolução Francesa. E se você quiser acreditar, cada descrição, gesto e fala realmente aconteceram. Não sei bem como funciona lá em cima, mas acho que houve uma espécie de cinema, onde Emmanuel pôde assistir as "gravações" espirituais e depois passá-las para o papel. O que na verdade deve ter sido muito difícil, pois vidas dele próprio se incluem nas narrações.

Os livros te envolvem em ambientes sofridos e te fazem participar das situações emocionantes das personagens. Situações que podem parecer à primeira vista, meramente literárias, mas que se considerarmos como destinos dos homens se cruzam e que nada, absolutamente nada, nos acontece por acaso, tudo é completamente real.

Emmanuel não escreve esperando uma boa crítica da Folha de São Paulo ou um convite para a Academia Brasileira de Letras. O que ele deseja é que através de sua saga, analisemos nossos próprios atos e decisões e como eles influeciam o restante de nossas existências. Os livros também, obviamente, possuem alto cunho cristão, mas não condenam aos faltosos da religião, o eterno fogo do inferno. Ao contrário, procura provar que as oportunidades de evolução e o perdão aos espíritos são eternos. Pode até ser difícil se redimir, mas nunca impossível.

Por fim, prepare uma caixa de lenços (ou no meu caso, um sorine), porque você vai chorar até! Não espere finais felizes, porque essas histórias são terrenas, e como todo bom espírita sabe:

A Felicidade não é deste mundo.

4 comentários:

Carol disse...

Boa dica de leitura.
Tenho lido muito Zíbia Gasparetto, mas Chico Xavier ainda não lí nada.

Valeu pela dica

Josué Mendonça disse...

Ôpa, achei muito legal teu blog também. Adoro literatura!
Quanto ao meu texto, tem um puquinho de sarcasmo sim, mas quero que fique bem claro que sou completamente a favor da liberação de Paris.........
abração
parabéns pelo seu blog

Rafael disse...

Ae! Estréia da Re!
hahahhaha
Bom, o último livro espírita que eu li não foi lá essas coisas não.
Então, até eu tomar coragem e tentar outro, pode ser que demore.

la texana disse...

desde que seja bem escrito, ser espirita ou não, pouco importa.

na Vitrine.