terça-feira, 7 de agosto de 2007

21 Gramas

- - - de Rafael, para o na Vitrine.

"Dizem que perdemos 21 gramas no preciso momento da nossa morte...todos nós. O peso de cinco moedas. O peso de um pedaço de chocolate. O peso de uma borboleta...Quanto pesa a vida?"


Título Original: 21 Grams
Gênero: Drama
Direção: Alejandro González-Iñárritu

Essa crítica, vou começar pelo defeito: o roteiro. Não quero dizer que ele seja mal feito ou mal trabalhado, mas a verdade é que eu já enjoei disso: recortes de cenas, vindas de espaços, tempos e personagens diferentes, montando um grande quebra-cabeça que só vai fazer sentido no final, à la Crash, O Grande Truque, Babel (por sinal, do mesmo diretor)... para citar os mais recentes, apesar de existirem muitos outros semelhantes. Pra ser sincero, essa é exatamente uma característica que teria feito o Rafael de alguns anos atrás se apaixonar perdida e loucamente pelo filme. Acontece que, não sei, essa receita não me impressiona mais. E quer saber, eu nem deveria ter escrito que isso é um defeito. Eu sei que, nas Artes principalmente, nada se cria; tudo se copia. Esse parágrafo foi tão pessoal que não faz nem sentido. Por tanto, a menos que você tenha se identificado com os meus sentimentos, para você a crítica começa agora.

21 Gramas é um desses filmes de beleza plástica. A câmera tremida, sabe, dá aquele ar de cinema alternativo muito gostoso. E o efeito não engana. É muito bem encaixado. Os filtros de cor também, causando um contraste sutil, uma impressão meio opaca. É tudo muito impressionante e bonito. Mas nada tão na cara. A beleza da fotografia é tênue... Apreciei bastante.

É um filme de impressões. Com símbolos muito fortes. Numa das primeiras cenas, um pai e suas duas filhas pequeninas sentados numa lanchonete, eu senti isso. O close da câmera está num canudo saindo de um líquido negro e borbulhate. A cena vai abrindo e descobrimos, em segundos apenas, que é a criança quem sopra o canudinho para borbulhar sua Coca-Cola. Mas a sensação inicial não era essa. Era de algo mais nojento, eu imaginei que fosse alguma droga, não sei porquê (alguém já ouviu falar em uma droga líquida, negra e borbulhante? Eu não). E, então, as crianças com seu pai. Um jogo muito estranho. Durante todo o filme, tudo permaneceu com a sensação de ser mais bonito do que parecia. Mesmo as cenas fortes, com drogas (de verdade) e sangue.

“Um filme de AMOR, ESPERANÇA e VINGANÇA”, dizia na capa do DVD. Mas, sinceramente, eu não esperaria encontrar muito disso não. Na verdade, por mais que seja uma trama complicada, e personagens profundos, tudo me pareceu justamente sem história. As cenas são ótimas. Mas não há lições de moral, e nem fica tão claro qual era o coração da trama. Eu diria que é, antes, um filme de como a vida passa, de como as pessoas são. Assim mesmo, sem grandes propósitos, como se o tempo simplesmente passasse. Apenas isso. O que não é pouca coisa.

O incrível é que eu sinto que o filme me impressionou da forma justamente oposta à proposta do diretor. Gostei muito das suas qualidades, mas não me surpreenderia se qualquer um achasse essa crítica completamente precipitada.

8 comentários:

la texana disse...

eu odeio crash com todas as forças, mas achei babel meio legal. Grande truque eu vi e achei tão previsivel que fiquei, e o grande truque, cade? acho que eu tbm já cansei da formula, mas ainda consigo me divertir assistindo. só não acho que filmes como esse são grandes filmes. 21 gramas eu já quis muito assistir, atualmente, prefiro ver outras coisas. talvez um dia, se passar na tv.

Leo|mascaro disse...

adoro os filmes do Alejandro.
da trilogia, pra mim o Amores Brutos ainda lidera os demais. mas adoro a forma com que ele mantém o mesmo ritmo contando histórias totalmente distintas.

um diretor que só tem a crescer!!

abraço

Flávio A disse...

a fórmula de picotar um filme e colar os pedaços desordenadamente, para encaixar tudo no final, é muito interessante, mas fica repetitiva e previsível depois de algumas vezes. o pior é que 21 gramas, apesar de toda a força das personagens, é um filme basicamente sobre isso, sobre picotar uma história. não é como babel, que, com a mesma fórmula, ainda fala da incomunicabilidade entre as pessoas, da falta de coabitação, da desconfiança etc.

mas eu gostei de 21 gramas, porque eu gosto da naomi watts. huahauhauhahua

cara, tem um ator nesse filme que lembra MUITO o brad pitt, é perturbador!

Íris disse...

"Dizem que perdemos 21 gramas no preciso momento da nossa morte...todos nós. O peso de cinco moedas. O peso de um pedaço de chocolate. O peso de uma borboleta...Quanto pesa a vida?"

Só por essa frase deu vontade de ver o filme.

=D

Rafael disse...

O grande truque previsível? Não. Acho que você tá confundindo com O Ilusionista...

la texana disse...

não, eu achei o grande truque tão previsivel quanto o O Ilusionista. a difereça é q o grande truque tem o david bowie e bowie é tudo de bom.

BrainOrb disse...

Você faria uma crítica bem diferente se tivesse visto ele no cineclube como eu.

Rafael disse...

Eu não achava as críticas do Marcelo tão relevantes assim...

na Vitrine.