terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Persépolis - Quadrinho e filme





- - - de _Renata, para o na Vitrine.


O mundo é muito maior.


Foi isso que Persépolis me ensinou.



Esse foi com certeza um dos quadrinhos mais ricos que já li. E digo isso em vários sentidos. A estética de preto e branco, o conteúdo político e social abrangente e crítico. Nossa, eu simplesmente achei genial.

Marjane Satrapi é uma iraniana que com dez anos de idade vivenciou a revolução islâmica em seu país. Suas experiências pessoais, seu ponto de vista infantil, sua adolescência conturbada e todos os elementos que compõem a vida de qualquer ser humano são fielmente narradas em uma autobiografia publicada em vários países, inclusive no Brasil. Em 2007, um filme de produção francesa com direção da própria Marjane foi lançado.

Persépolis não é uma obra sobre o oriente feita para o ocidente, como certos livros puxadores-de-saco-dos-EUA sobre pipas e meninos infelizes são. Em nenhum momento Marjane exalta a liberdade do capitalismo, a superioridade consumista e nem nada dessas besteiras.
Ela reflete, isso sim, sobres as perdas que seu povo sofre, as consequências de uma guerra, quando a palavra do amor é transformada no grito do ódio, quando o riso é considerado nocivo e quando a imperfeição humana impede que a harmonia acompanhe a evolução de um todo.

Ela mesma assume seus erros, o que seu medo a fez cometer e como podemos nos deixar levar por nossas angústias.

Ao mesmo tempo, nos é retratado um cotidiano ímpar, que eu sinceramente desconhecia. O pouco que nos é oferecido sobre países como o Irã é tão deturpado que eu fiquei surpresa em alguns momentos.

Eu não quero entrar em detalhes, porque pra mim tudo que eu digo é spoiler. Mas com certeza, Persépolis não crítica sistemas, ideologias nem religiões. Persépolis crítica a ausência de integridade nas lideranças, as concepções desprovidas de empatia pelo semelhante e a fé cega, sem carinho e amor.

A animação não foge do enrendo principal, somente pulando alguns momentos e cenas. Tem uma trilha sonora suave e uma linguagem bela de narração.



E pra mim, a avó dela é a melhor. Quero ser uma avó assim um dia.

2 comentários:

Rafael disse...

eu já tava com vontade de ver/ler. agora eu estou com MUITA vontade.

Leo|mascaro disse...

Eu fiz o caminho inverso. Assisti ao filme, e depois li os quadrinhos. Difícl escolher o melhor. Ambos os formatos são geniais!!

Com certeza foi uma das grandes surpresas do ano!

na Vitrine.