Dude, we are Lost
- - - de Rafael, para o na Vitrine.
- - - de Rafael, para o na Vitrine.
- - - de Renata_, para o na Vitrine.

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Harry Potter and The Half Blood Prince. Um filme de esforços. Um bom filme, bem feito, com linguagem rica e bela. Mas definitivamente, abarrotado de esforços.
Esforço número 1: fazer da personagem Gina Weasley uma garota bonita, interessante, notável, sexy, divertida, etc. Ela aparecia em qualquer cena possível de se aparecer, fazendo comentários espirituosos, colocando moral na galera do q
uadribol, sendo a primeira a perceber a presença de Harry na toca, amarrando cardarços alheios (lição para as solteiras de plantão: mostre-se disposta abaixar-se aos pés do homem que você ama), fazendo uma brincadeira sensual de esconde-esconde em um salão escuro e por aí vai. Aliás, foi um esforço tão óbvio que criaram uma cena especial de Natal, onde a toca é destruída por dois comensais desocupados, só para ela e Harry fortaleceram seu laço de amor eterno, um tentado salvar o outro.
Esforço número 2: Como o livro não possue tantas cenas de ação, e sim mais diálogo, para manter a atenção do pública viva, HBP tornou-se o filme mais engraçado até agora. Onde era possível inserir uma piada, eles nao hesitavam. O que não é necessariamente uma coisa ruim, porque as piadas possuiam certa qualidade e os atores as desenvolveram bem. Oh, well.
Esforço número 3: Manter Harry e Draco nos arcos principais da história. Foi na verdade, um filme sobre os dois, cada um com seu sofrimento e problemas. Hermione só aparecia para chorar, Ron só aparecia, para ahm, ser o Ron. Draco por sua vez, se arrastava pelos cantos do castelo, a mente em turbilhão. Achei que Tom Felton desenvolveu muito bem essa emice, até mandei um recadinho no Twitter para ele falando isso, entre os outros duzentos milhões que ele deve ter recebido desde a estréia do filme. Daniel Radcliff, ahm, fez o de sempre.
Agora, o que me incomodou, verdadeiramente. Primeiro, aquele Dumbledore obtuso que foi criado no filme. Nos livros, Dumbledore é nossa figura de estabilidade, serenidade, nosso porto seguro. Nos filmes, temos aquela criatura epilética e irritante. Eu o detesto, profundamente. Aí o que acontece... No livro, a cena da bebida da poção para se obter a Horcrux causa grande desespero para os leitores, porque Dumbledore mostra-se pela primeira vez, vulnerável e fraco. No filme, daquele ser patético, é mesmo de ser esperar um atitude assim. Uma cena que deveria causar agonia, desconforto e até desespero, tornou-se fraca, plana, totalmente sem-graça.
Outro incômodo meu: todo o conceito e origem das Horcruxs ficaram jogados e mal-explicados. Para quem não leu os livros, pode rolar uma dúvida que provalvemente será explicada por aqueles que leram. É normalmente assim que acontece.
Cortes de cenas dos livros são normais, necessários. Mas eu achei uma pena retirarem as partes que explicam a origem da famíla de Voldemort, como ele foi concebido, porque ele morava em um orfanato, e por aí vai. Para mim, é um dos detalhes mais interessantes da série toda e desvalorizá-los assim é uma verdadeira perda. É uma parte muito rica dos livros.
Gostaria de destacar minha predileção pela cena em que Harry bebe a poção Felix Felicis e participa do velório da aranha gigante. Para mim, foi a mais bem feita e bonita. Uma música ao fundo, Slughorn declamando belas palavras e Daniel Radcliffe em sua melhor interpretação de um usuário de drogas psicotrópicas. Na verdade, acho que ele não interpretou de todo, alguma experiência própria está estampada ali, no olhar desencontrado de Harry. Genial.
Menção honrosa para Lilá/Lavender Brown e seus sábios ensinamentos de como perder um
homem, Luna Lovegood ao resgate, em seu vestido feito com os restos daquela porcaria que Hermione usou no baile do 4o filme, Bellatrix e seu lema "eu quero ver o oco" (quem não entendeu, me pergunte depois), mamãe Narcissa e seu cabelo de Pepé Le Pew, e ah, Snape. Maravilhoso, profundo, misterioso, genial, Snape.
Há quem reclame das cenas finais. O funeral teria sido interessante de se ver, figuras importantes dos livros, mas não foi uma perda total. Mas Snape gritando "DON'T CALL ME COWARD, POTTER!" com o fogo da casa de Hagrid como fundo também fez falta, é um momento de forte intensidade no livro.
No geral, foi um filme bom. Não foi o melhor, muito menos o pior.
Na verdade, aumentou minha vontade para os próximos dois. Esses sim, quero só ver como vão ficar.
- - - de Rafael, para o na Vitrine.
"Às vezes eu acho que é um pouco violento esse jeito como se vive: as pessoas têm que deixar de lado aquilo em que acreditam para se conservar vivas."
MAYSA, 16 anos
"Eu tenho medo de coisas, assim, totalmente complexas e grandiosas, como o medo da morte, o que acontece depois da vida, quem sou eu, o que vai acontecer comigo."
THAIS, 15 anos
"Eu deveria ter uma péssima impressão da vida se não fosse a paixão que tenho pela arte de viver."
VALÉRIA, 16 anos
Com seu estilo solto, uma visão aparentemente imparcial e depoimentos com assuntos para lá de aleatórios, o documentário “Pro Dia Nascer Feliz”, de João Jardim, constitui-se como um verdadeiro vitral, onde a realidade da educação brasileira é mostrada tão íntima quanto seria possível. Na verdade, a coerência que adquire decorre principalmente de sua não objetividade e, assim, fica clara a visão que a pedagogia vem disseminando, de que o momento escolar não é parte da vida, mas a própria vida de milhares de estudantes.- - - de Rafael, para o na Vitrine.
É comum dizer que um bom texto, seja um livro, um filme ou uma HQ, é bom quando nos põe a pensar, suscita dúvidas e questões pertinentes e, de certa forma, apura nossa visão de mundo. A obra de Alan Moore e Dave Gibbons sem dúvida se enquadra nesse perfil. Aqui, pretendo escrever um pouco sobre minha visão particular de quais são essas questões, e como compreender Watchmen, filme e HQ. Mais uma vez, não vou me preocupar em fazer uma apurada análise técnica. Escrevo para um público que tenha conhecimento do texto, pois podem haver spoilers (não muitos). Acredito que essa análise seja ainda mais valiosa para aqueles que apenas assistiram ao filme. Os que leram a HQ provavelmente já se confrontaram explicitamente com grande parte das questões abarcadas. No entanto, um releitura sempre ajuda a organizar o pensamento e consolidar nossas opiniões.Em um mundo como o nosso, qual seria o verdadeiro papel de um super-herói? Como lutar contra o mal quando ele não está mais tão convenientemente caracterizado por uma figura central, arqui-inimiga?
Por que no século XX* precisamos de super-heróis?
À primeira vista, o entre aspas “protagonista” Rorschach não parece lembrar nem de longe a algum herói dos antigos quadrinhos. No entanto, num universo menos complexo do que aquele em que vive o vigilante, teríamos na figura de Rorschach um super-homem fidedigno: em um mundo com a dicotomia bem-mal aparente e exposta, teríamos um personagem de código moral claro e inabalável, pronto para banir com as próprias mãos os indivíduos podres da sociedade. A visão de Rorschach é a de que não existem desculpas para os desvios de comportamento. Por sua história de vida, ele poderia ser o primeiro a se esconder atrás da máscara de vítima, como desculpa para qualquer mal que porventura viesse a cometer. No entanto, não é isso o que esconde a máscara de Rorschach. Nada, na forma como ele enxerga o mundo, lhe dá o direito de ser fraco. Ele faz o que deve ser feito (da forma como ele entende que deve). Ele não se dobra nem mesmo ao Estado, agindo na ilegalidade se preciso, por que acredita que sua missão precisa ser cumprida. Heroísmo? Obviamente! Dos melhores. Não agiria o Super Homem da mesma maneira? A impiedade e integridade de Rorschach aos seus próprios códigos é o que faz dele o mais heroico dos vigilantes. No entanto, colocando-nos frente a frente com nossas próprias fraquezas, esse personagem nos faz rever o conceito de Justiça. Qual o sentido de um código tão rigoroso quando todos somos mais ou menos fracos? Talvez seja o medo de aceitar nosso lado sombrio que nos impeça de compreender Rorschach em seu heroísmo, e perceber que todas as suas atitudes atrozes são motivadas pela concepção de justiça do mundo ocidental.


Que poderes um super-herói precisaria ter para garantir a paz? Mesmo no plano metafísico, esse perfil de herói existiria?


- - - de Renata_, para o na Vitrine.
Então, o vencendor do oscar 2009.
Bonito? Sim.
Comovente? Sim.
Envolvente? Sim.
Bem feito? Sim.
Surpreendente? Não.
Inovador? Não.
Tinha um comichão me incomodando durante todo o filme. Um comichão que me dizia: você já viu/leu/ouviu essa história antes. E é óbvio que você sabe o final.
Não é surpresa que Slumdog ganhou o prêmio de melhor filme. Porque ele não ganharia? Ele possui a fórmula exata, que funciona entre nós mortais, por séculos a fio.
É muito simples: Crie um herói, tão nobre quanto Ivanhoé, tão apaixonado quanto Romeu, com a infância tão trágica quanto... sei lá, a do menino do "Parada 174", uma heróina tão bela e pura quanto qualquer princesa adormecida e adicione o destino determinado a consagrá-los com um feliz para sempre. Gente, que membros da Academia não derretem diante disso?
Sabem o que vi na tela? Alladin do século XXI. E Alladin da Disney mesmo, porque o conto original tem mais suor e sangue. Não me levem a mal, eu AMO Alladin, mas com a plena noção de que entre a Moreninha e a Jasmim não há muita diferença, além de alguns miolos (para a Jasmim, obviamente) e a própria etnia das duas.
Jamal-Alladin "ladrão lalau, eu não sou não! É que na realidade, eu sou só pobre. Alladin... Quem há de dizer, que há muito mais, em mimmmmm!" passou por muitas dificuldade para chegar à cena inicial do filme. Cada momento de sua vida é uma "denúncia social" das violações dos direitos humanos, ambientais, sociais, animais, científicos, sociológicos, antropológicos e tudo mais que é possível de ser violado.
Alladin conhece Jasmim, Alladin não pode ter Jasmim. - Jamal conhece Latika, Jamal não pode ter Latika.
Alladin acha a lâmpada - Jamal entra no show do milhão indiano.
Alladin perde a lâmpada para Jafar - Duvidam da capacidade de Jamal de estar ganhando o jogo honestamente.
Alladin com a ajuda do bem, vence Jafar, liberta o gênio e fica com Jasmim. Eventualmente Alladin se muda para o palácio assim como também eventualmente se tornará sultão, deixando toda uma vida de pobreza e sofrimento para trás. Living Happily ever after.
Jamal não se sai muito diferente.
Não estou exigindo quedas de sistemas, nem quebra das castas, nem que o governo indiano seja derrubado. Muito menos desejo que Jamal tivesse perdido na pergunta final, paraque o fim fosse mais real. Também não estou desvalorizando o tom narrativo do filme. Na verdade, não estou aqui para criticar Slumdog Millionaire.
Só quero deixar um alerta para mantermos nossos olhos abertos. Sentir alívio porque Jamal e Latika nunca mais vão passar fome não é catarse, é alienação.
E a música final e ganhadora do oscar também (que eu gostei e até baixei), poderia muito bem ser substituída por "Um Mundo Ideal":
Aladdin: Um mundo ideal
Jasmin: Um mundo ideal
Aladdin: Que alguém nos deu
Jasmin: Que alguém nos deu
Aladdin: Feito pra nós
Jasmin: Somente nós
Aladdin & Jasmin: Só seu e meu.
Foi lançado oficialmente nesta terça-feira, 30, o clipe de "Another Way to Die", música feita em parceria por Jack White (do White Stripes) e a cantora Alicia Keys para a trilha sonora de Quantum of Solace, o vigésimo segundo filme do agente britânico 007 (mais uma vez vivido por Daniel Craig).
A canção já havia vazado na internet em áudio, retirada de uma propaganda da Coca-Cola Zero norte-americana. O disco com a trilha sonora completa do filme será lançado no final de outubro, vinte dias antes da estréia do filme no Brasil, em 14 de novembro.
(FONTE: http://www.rollingstone.com.br, setembro de 2008)

- - - de _Renata, para o na Vitrine.
O mundo é muito maior.
Foi isso que Persépolis me ensinou.
Esse foi com certeza um dos quadrinhos mais ricos que já li. E digo isso em vários sentidos. A estética de preto e branco, o conteúdo político e social abrangente e crítico. Nossa, eu simplesmente achei genial.
Marjane Satrapi é uma iraniana que com dez anos de idade vivenciou a revolução islâmica em seu país. Suas experiências pessoais, seu ponto de vista infantil, sua adolescência conturbada e todos os elementos que compõem a vida de qualquer ser humano são fielmente narradas em uma autobiografia publicada em vários países, inclusive no Brasil. Em 2007, um filme de produção francesa com direção da própria Marjane foi lançado.
Persépolis não é uma obra sobre o oriente feita para o ocidente, como certos livros puxadores-de-saco-dos-EUA sobre pipas e meninos infelizes são. Em nenhum momento Marjane exalta a liberdade do capitalismo, a superioridade consumista e nem nada dessas besteiras.
Ela reflete, isso sim, sobres as perdas que seu povo sofre, as consequências de uma guerra, quando a palavra do amor é transformada no grito do ódio, quando o riso é considerado nocivo e quando a imperfeição humana impede que a harmonia acompanhe a evolução de um todo.
Ela mesma assume seus erros, o que seu medo a fez cometer e como podemos nos deixar levar por nossas angústias.
Ao mesmo tempo, nos é retratado um cotidiano ímpar, que eu sinceramente desconhecia. O pouco que nos é oferecido sobre países como o Irã é tão deturpado que eu fiquei surpresa em alguns momentos.
Eu não quero entrar em detalhes, porque pra mim tudo que eu digo é spoiler. Mas com certeza, Persépolis não crítica sistemas, ideologias nem religiões. Persépolis crítica a ausência de integridade nas lideranças, as concepções desprovidas de empatia pelo semelhante e a fé cega, sem carinho e amor.
A animação não foge do enrendo principal, somente pulando alguns momentos e cenas. Tem uma trilha sonora suave e uma linguagem bela de narração.
E pra mim, a avó dela é a melhor. Quero ser uma avó assim um dia.
- - - de Rafael, para o na Vitrine.
Quimera
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