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terça-feira, 24 de agosto de 2010

Os Fidalgos da Casa Mourisca

- - - de _Renata, para o na Vitrine.


Esse post na verdade é uma resenha que eu tive que escrever sobre um dos livros do semestre de Romantismo Português. Não é exatamente uma recomendação, apesar de eu ter gostado do livro, mas mais uma análise feita a partir das teorias que estudamos na matéria.
Eu só vou colocar mesmo porque tem muito tempo que não publico nada xD
Não leiam se não quiserem. Nem vai ter figuras, porque eu não achei uma imagem decente relacionada no google.

Os Fidalgos da Casa Mourisca, escrito por Julio Diniz e publicado no ano de 1871 em Portugal, é categorizada como uma obra do romantismo luso, de grande importância para a literatura do país da península ibérica.

Mas em um plano mais político e social, esse livro possui vivo destaque. Com astúcia, qualidade descritiva, enredo interessante, personagens bem desenvolvidos e cenário palpável, o autor preconiza suas visões favoráveis ao liberalismo, a doutrina emergente e revolucionária da Europa do séc. XIX e deliberadamente critica a decadente aristocracia.

A história é narrada de maneira bela e sem linguagem rebuscada, mas ao mesmo tempo, exigindo do leitor vocabulário e interpretação de texto consistentes.

Em uma aldeia portuguesa, uma família fidalga se refugia por anos do fim do absolutismo, em uma mansão conhecida na região como Casa Mourisca.

O senhor da moradia é Dom Luis, nobre orgulhoso, exausto com a tristeza trazida pelos anos. Seu sofrimento maior encontra-se na perda da filha mais jovem, a pura e delicada Beatriz, falecida por doença na adolescência.

O lar reflete perfeitamente seu espírito conturbado. A propriedade nada produz, dependendo de recorrentes dívidas e hipotecas para, fragilmente, se sustentar. A responsabilidade das economias da casa recaem sobre o péssimo administrador, Padre Januário, morador por conveniência do local.

O protagonista do romance figura-se em Jorge, rapaz belo, maduro, de caráter admirável, estudioso e portador de profunda seriedade. É o filho mais velho de Dom Luis, e que ao observar a prosperidade das propriedades vizinhas, em grande contraste com a sua, prontifica-se a regularizar a situação, tornando-se o novo administrador econômico. Uma atitude como essa o rebaixa diante da nobreza, pois o trabalho é visto como função do homem comum, plebeu. A ajuda financeira para tal empreitada é fornecida por Tomé, um agricultor abastado, mas de origem humilde (outrora serviçal da própria Casa Mourisca) e que com esforço evoluiu.

Dentre outras figuras importantes do livro, estão Maurício, o irmão mais novo de Jorge, Berta, a filha de Tomé e Gabriela, a prima viúva da família fidalga.

Maurício é um jovem leviano e volúvel, facilmente impressionável. Diferente do irmão, ele possui hábitos supérfluos mas não é mau caráter. Berta espelha a imagem viva de Beatriz. Graças às condições financeiras do pai, cresceu educada em Lisboa, aprendendo a se portar como uma nobre, mas permanecendo humilde, gentil, delicada e pueril. Já Gabriela é uma mulher experiente da sociedade urbana. Sagaz, intuitiva e atenta, ela busca o melhor para sua família e para si.

Na obra em si, não há uma personagem antagonista principal, entrando em choque direto com Jorge e seus interesses. Há, no entanto, imagens antagônicas que podem ser identificadas. Os primos fidalgos do Cruzeiro, influenciando negativamente Maurício, estão entre essas imagens.

Por isso, todos os conflitos do livro, no fim, resolucionam-se através da argumentação e do diálogo, sem necessitar de batalhas dramáticas, mortes ou fugas.

Jorge e Berta, ao perceberem-se apaixonados, e sendo de classes diferentes, decidem reprimir tal sentimento e escondê-los de seus familiares. Dom Luis, com a força de sua teimosia e orgulho, abandona a Casa Mourisca ao descobrir sobre o empréstimo de Tomé. Esses dois arcos da história tornam-se as principais questões, aparentemente sem solução.

Ao final, uma redenção por parte de Dom Luis ocorre. Seu carinho por Berta, a qual o lembra muito Beatriz, o faz reconhecer que a nobreza não corre no sangue, e sim no espírito de uma pessoa. O casamento é celebrado e Jorge reconstrói, através do trabalho e com dedicação, a propriedade de sua família.

Na verdade, a narrativa toda de Fidalgos da Casa Mourisca é somente um pretexto para o embate entre as filosofias liberais e absolutistas, com a vitória óbvia do liberalismo. O narrador nos manipula a todo momento, através da metalinguagem e de palavras tendenciosas para que sintamos empatia pelos virtuosos Jorge e Berta, torcendo pela sua união e felicidade. Também procura incitar nossa rejeição pela nobreza, afundando-os em vícios e atitudes condenáveis tais como ócio e o jogo.

Gabriela é uma fidalga, mas partidária do liberalismo. Como suas ideias tendem para este lado, as suas ações minuciosamente premeditadas colaboram fortemente para o final harmonioso da obra. Gabriela é em realidade, o instrumento do narrador para o triunfo daquilo que ele considera o “bem”.

Os princípios liberais são exaltados a todo momento. Em uma cena memorável, o escritor português Almeida Garret, falecido alguns anos antes da publicação do livro, é citado entre um círculo de fidalgos decadentes. Pelas visões convergentes com a do próprio narrador, Garret é duramente criticado. Essa cena transborda ironia, provocando também verossimilhança. É como se o autor quissesse que seus personagens mais desprezíveis demonstrassem rancor por seu próprio criador.

Já Jorge, sofre a mais ilustre metarmofose. O labor é sua maior companhia, a concentração e o investimento de capital, seus aliados. A leitura de filósfos iluministas é seu guia. As conquistas de suas aspirações tornam-se para os leitores, inevitáveis.

Na última página do romance, Jorge é intencionalmente classificado como um burguês, um homem respeitado por todos e visto como um exemplo a ser seguido. As últimas linhas até retomam uma citação do início do livro, que mencionava tesouros dos mouros possivelmente escondidos debaixo do solo da casa. Esse tesouro transforma-se então em uma metáfora, desenterrada pelas mãos calejadas mas robustas de Jorge.

Mas grande vitória para o liberalismo, na obra, não está na transformação de um jovem nobre em um burguês competente, e sim na submissão de um ancião absolutista à “sublime” filosofia. Sem a quebra do caráter considerado reacionário de Dom Luís, incitada pelo carinho paradoxal dele por Berta (uma dama sem sangue azul), a mensagem de Júlio Diniz estaria incompleta. Não haveria êxito para o narrador se os amantes tivessem de fugir para realizar sua união ou se Dom Luís morresse antes de abençoar as ações burguesas do filho e o casamento entre as diferentes classes. Nesse ponto, o extremo é essencial: ou o liberalismo domina por completo, trazendo promessas de ventura, felicidade e prosperidade, ou não.

Porém, para atrair o público e espalhar suas ideologias, o autor necessitou escrever seu livro dentro dos padrões vigentes da literatura de seu tempo. Assim, Fidalgos da Casa Mourisca possui elementos distintos do romantismo português, tais como: exaltação da natureza e utilização desta para descrição de sentimentos basicamente egocêntricos como melancolia e nostalgia, idealização da mulher como ser virgem e pueril, dramaticidade nas ações e diálogos e indicações de sentimento nacionalista.

Inclusive, o Patético de Schiller encontra-se profundamente presente na narração. Sendo esse Patético considerado a repressão da emoção através da razão, o ímpeto de não revelar a ninguém, não importando o esforço, o que se passa no interior sentimental da personagem, Jorge e Berta encaixam-se perfeitamente no perfil.

Ele, ao perceber o início de amor que o simples pensamento nela lhe causava, passou a evitá-la ao máximo, concentrando-se em estudos, viagens ou qualquer outra coisa. Seu físico quase não aguentou, ficando em determinado ponto da obra, doente. Já Berta, ao percebe-se apaixonada por Jorge e sem compreender a frieza dele para com ela, aceita um pedido de casamento de outro homem, que mal conhecia. Depois, mesmo sabendo da reciprocidade que possuíam, os dois decidem que ela deve seguir com o casamento, pois acreditavam suas famílias jamais poderiam conceder o matrimônio.

Outra importante característica romântica de Jorge é o seu perfil de herói problemático. Um herói insatisfeito com o ambiente à sua volta, que sai em uma busca degradada, mas degradada de acordo com os valores vigentes. Uma empreitada burguesa em um ambiente nobre, como já visto, com certeza é considerado um ato de rebaixamento.

Por fim, é preciso lembrar que Fidalgos da Casa Mourisca foi escrito em uma época em que Portugal ainda em encontrava-se em uma transição socio-econômica. Para não insatisfazer parte do público leitor, inserido nessa transição, Júlio Diniz lapidou seu principal par romântico, procurando torná-lo verossímil e nivelado. Jorge é o nobre aburguesado. Berta é a burguesa com educação nobre. Sem esses elementos, o romance perderia boa parte de sua calculada e complexa confecção.

quinta-feira, 12 de março de 2009

As Questões de Watchmen

- - - de Rafael, para o na Vitrine.

É comum dizer que um bom texto, seja um livro, um filme ou uma HQ, é bom quando nos põe a pensar, suscita dúvidas e questões pertinentes e, de certa forma, apura nossa visão de mundo. A obra de Alan Moore e Dave Gibbons sem dúvida se enquadra nesse perfil. Aqui, pretendo escrever um pouco sobre minha visão particular de quais são essas questões, e como compreender Watchmen, filme e HQ. Mais uma vez, não vou me preocupar em fazer uma apurada análise técnica. Escrevo para um público que tenha conhecimento do texto, pois podem haver spoilers (não muitos). Acredito que essa análise seja ainda mais valiosa para aqueles que apenas assistiram ao filme. Os que leram a HQ provavelmente já se confrontaram explicitamente com grande parte das questões abarcadas. No entanto, um releitura sempre ajuda a organizar o pensamento e consolidar nossas opiniões.

O principal objetivo de Watchmen chega a ser óbvio: a desconstrução do mito do super-herói, trazendo essas lendárias figuras para o mundo real. Não exatamente para o nosso mundo, mas para uma realidade paralela semelhante, diferindo apenas pelas consequências trazidas pela existência desses heróis. Tradicionalmente, o universo dos super-homens é o ambiente de personalidades linearizáveis, onde bem e mal não se misturam. Só de olhar é possível identificar bandidos e mocinhos. Na roupagem realista que Watchmen propõe, não há espaço para tais maniqueismos. Temos personagens humanas, nem sempre boas ou más, e sim tridimensionais. A primeira questão, então, que esse tipo de contexto propõe é:

Em um mundo como o nosso, qual seria o verdadeiro papel de um super-herói? Como lutar contra o mal quando ele não está mais tão convenientemente caracterizado por uma figura central, arqui-inimiga?

Os diferentes mascarados têm particulares respostas para essa questão. Mas não vou começar por essa discussão. Ainda estamos começando.

Antes de mais nada, é preciso se perguntar:

Por que no século XX* precisamos de super-heróis?

Bom, Super Homem, Capitão América e companhia nasceram do interesse político de vencer ideologicamente os soviéticos. Inspirados, então, no sonho americano de Justiça e Liberdade, divulgados por esses metalinguísticos personagens, surgem os “watchmen” (vigilantes), os combatentes do mal transportados para um mundo menos preto-e-branco, prontos para enfrentar o mal que existe dentro da própria América. A compreensão fundamental aqui é a de que nem o sistema político apregoado como o correto, a Democracia e as Leis, nem a Religião e nem o setor privado, e nem nada foi capaz de vencer misérias, desigualdades, preconceitos e violência. A sociedade da forma como ela foi concebida é simplesmente ineficiente no combate aos problemas sociais reais que maltratam principalmente, mas não só, as minorias (minorias que, em números, não têm nada de minoria). Por isso a crença em seres superiores designados para resolver os problemas sociais que os poderosos (preocupados com políticas publicitárias) não se mobilizam para tratar parece plausível em uma realidade caótica. Por isso a necessidade dos “watchmen”.

Mas, se por um lado, os heróis parecem necessários, por outro, seria absurdo e incoerente designar pessoas, seres humanos, para esse tipo de serviço. E o que aconteceria se pessoas comuns se dessem a esse trabalho? A resposta de Moore para essa questão é o próprio cenário de Watchmen, realista por necessidade de ser coerente. E o é. A genialidade do autor é justamente conseguir apresentar esse cenário como uma realidade plausível. Para os combatentes, motivos sobram: uns lutam por suas ideologias, outros são patrocinados por empresas, outros buscam fama e prestígio, a maioria apenas não bate muito bem da cabeça. Mas, que benefícios reais esses heróis humanos poderiam trazer à sociedade? Mesmo que eles tenham notáveis habilidades marciais, mesmo que eles tenham a tecnologia ao seu lado... Voltando ao início, como combater o mal?

Os vigilantes e suas batalhas pessoais

À primeira vista, o entre aspas “protagonista” Rorschach não parece lembrar nem de longe a algum herói dos antigos quadrinhos. No entanto, num universo menos complexo do que aquele em que vive o vigilante, teríamos na figura de Rorschach um super-homem fidedigno: em um mundo com a dicotomia bem-mal aparente e exposta, teríamos um personagem de código moral claro e inabalável, pronto para banir com as próprias mãos os indivíduos podres da sociedade. A visão de Rorschach é a de que não existem desculpas para os desvios de comportamento. Por sua história de vida, ele poderia ser o primeiro a se esconder atrás da máscara de vítima, como desculpa para qualquer mal que porventura viesse a cometer. No entanto, não é isso o que esconde a máscara de Rorschach. Nada, na forma como ele enxerga o mundo, lhe dá o direito de ser fraco. Ele faz o que deve ser feito (da forma como ele entende que deve). Ele não se dobra nem mesmo ao Estado, agindo na ilegalidade se preciso, por que acredita que sua missão precisa ser cumprida. Heroísmo? Obviamente! Dos melhores. Não agiria o Super Homem da mesma maneira? A impiedade e integridade de Rorschach aos seus próprios códigos é o que faz dele o mais heroico dos vigilantes. No entanto, colocando-nos frente a frente com nossas próprias fraquezas, esse personagem nos faz rever o conceito de Justiça. Qual o sentido de um código tão rigoroso quando todos somos mais ou menos fracos? Talvez seja o medo de aceitar nosso lado sombrio que nos impeça de compreender Rorschach em seu heroísmo, e perceber que todas as suas atitudes atrozes são motivadas pela concepção de justiça do mundo ocidental.

O que incomoda em Rorschach não é o fato de ele não ser o herói tradicional, mas justamente o fato de ele ser exatamente o que entendemos por herói. É claro que elementos compositivos importantes – sua aparência e seu total desprezo pela raça humana – fazem com que antipatias nasçam mais facilmente. Mas o importante é perceber que mesmo um Rorschach atraente e cheio de amor pra dar ainda cometeria erros terríveis, porque ele age centrado em suas próprias verdades e as leva adiante custe o que custar. Ninguém é dono da verdade, e um herói que faça sua própria moral valer, a despeito de outros, não passa de um intolerante e egocêntrico. Essa intolerância, no entanto, é a essência do herói, e a personalidade de Rorschach é uma peça fundamental no quebra-cabeça da trama.

E o que dizer do Comediante? O Comediante é um pacifista do plano psicológico. Ele, ao contrário de Rorschach e da maioria dos outros vigilantes, aceita o mal como parte integrante da natureza humana. Por isso, ele prefere não lutar, porque lutar contra o mal é lutar contra si mesmo. Ao contrário, ele se junta ao inimigo, fazendo da crueldade motivo de piada. Ele se permite atrocidades para se sentir em paz com sua natureza humana. O Comediante é o perfeito anti-herói, que acha uma piada a luta dos outros vigilantes.

Adrian Veidt, o Ozymandias, em certo momento da narrativa percebe o tom das piadas do Comediante, e atenta para o fato de o mal estar espalhado em todas as criaturas. Até então, ele era como os outros, engajado como Rorschach, mas capaz de enxergar a complexidade comportamental humana. Em nenhum momento, ele abandona a luta contra o mal, mas, ao se dar conta da natureza intrínseca da maldade, graças ao Comediante, Ozymandias percebe que seria preciso abandonar velhos princípios. A guerra contra o mal é uma guerra desleal e só pode ser vencida abandonando a visão romantizada de moral do super-herói. Adrian, o homem dito mais inteligente da Terra, é o primeiro a perceber que o herói humano seria incapaz de vencer na luta contra o mal, porque o mal não respeita nenhum código moral.

Impactos na Sociedade


Do ponto de vista social, a existência dos Homens Minuto (a primeira geração de vigilantes) é uma anomalia política sem tamanho. São pessoas que agem às escondidas, acima da lei e desrespeitando todas as conquistas democráticas históricas, ridicularizando o governo e a segurança nacional. No entanto, contando com o apoio da sociedade, são rapidamente incorporados ao sistema econômico, tornando-se celebridades e armas poderosas de publicidade. Espectral e Dollar Bill são perfeitos exemplos dessa nova tendência.

Não seria preciso nenhum grande evento para deixar claro que esses heróis eram, na verdade, grandes equívocos coletivos, motivados por ideologias artificiais. Logo começam os abusos e a dificuldade de identificar os homens por trás das máscaras cria uma casta social de irresponsabilizáveis; tiranos e nazistas fora da política. Mesmo que a maioria deles não agisse com crueldade, apenas a arbitrariedade que tinham poder para exercer já era suficiente para ameaçar a ordem social.

Super Poderes


A discussão precedente ganha nova dimensão com o surgimento do Dr. Manhattan. A pergunta agora é: e se um super-herói com super poderes realmente existisse? Alan Moore responde com outra pergunta: e se essa espécie de Super Homem fosse, da mesma forma como foram os Homens Minuto, incorporado pelo sistema político-econômico? Uma criatura super poderosa poderia, em teoria, funcionar como arma em uma guerra política, mas não na guerra contra o mal, porque, nas palavras de Jon, ela não possuiria o poder de “alterar a natureza humana”. É a visão do Comediante voltando à tona. A guerra contra o mal é uma guerra contra os homens. Apenas a humanidade poderia se salvar de si mesma.

É por isso que, na HQ, quem salva a Terra de uma 3ª Guerra Mundial é um herói humano, e não o Dr. Manhattan.

Além disso, fica clara na HQ a visão de Moore de que, quanto mais poder a humanidade detém, mais iminentes tornam-se os conflitos. Foi a existência do Dr. Manhattan que deixou a Terra à beira da guerra. O medo que Jon causava nos soviéticos era tamanho que não descartava-se a possibilidade de um ataque suicida. Fica no ar mais uma pergunta:

Que poderes um super-herói precisaria ter para garantir a paz? Mesmo no plano metafísico, esse perfil de herói existiria?

Rorschach versus Ozymandias

Todas essas perguntas não ficam sem solução. Ozymandias, com seu plano megalomaníaco e por métodos questionáveis consegue unir duas nações inimigas e acabar com a ameaça da guerra. Essa solução, no entanto, está longe de ser conclusiva. Personagens morrem, mas não ideologias. A breve mas suficiente discussão entre Ozymandias e Rorschach no final da trama é ainda repleta de quesões a serem pensadas. A forma como Ozymandias conduz os fatos baseia-se numa visão maquiavélica que não raro culminou em grandes injustiças históricas. Em verdade, apesar da Terra ter sido momentaneamente “salva”, não há garantias de que o mundo será um lugar melhor dali para frente. Aliás, não há sequer garantia de que ela vá durar mais dez anos. Terão, então, valido a pena todas as mentiras, todas as mortes, todas as arbitrariedades? Não estará a visão de Ozymandias apenas propagando os mesmos erros e preconceitos que deram origens à desigualdade e à guerra? O feito é notável, mas não haveria outra forma? A pergunta, na verdade, é secular: os fins justificam os meios?

A visão heróica e romântica de Rorschach é terminantemente contra essa “salvação” sangrenta e mentirosa; “sem acordos”, ele diz. Mas, estaria errado o seu ponto de vista apenas por parecer utópico? Afinal, quantas vezes ao longo da história os grades impasses tentaram ser resolvidos de forma honesta? O problema político de ações como o de Ozymandias é que, quase sempre, busca-se por meios imorais alcançar interesses particulares de poderosos. O mesmo não pode ser dito de Adrian Veidt, contudo, colocando na forma de outra pergunta secular: um erro justifica outro? É uma imagem forte quando Rorschach refere-se à morte como “mais um cadáver em sua fundação”. Talvez ele esteja propondo que um mundo melhor não se construa por grandes revoluções, mas por atitudes íntegras. Os fins não podem justificar os meios, porque todo final é uma ilusão. O futuro perfeito de Veidt é uma ilusão, e o que ele fez simplesmente não está correto.

Tantas questões filosóficas e existenciais em apenas 12 capítulos é realmente um mérito à parte, e, apesar de haver falhas, tanto no filme quanto na HQ, é mais que merecido o reconhecimento de Watchmen como uma grande obra, um marco na história dos quadrinhos. Àqueles que assistiram o filme, recomendo fortemente ler também a série impressa. A ambientação é feita de forma espetacular e essas questões todas são tratadas com muito mais cuidado que na versão cinematográfica, que, apesar de ser uma excelente adaptação do enredo de Watchmen, perde em profundidade de interpretação.



____
* Período da trama.

domingo, 23 de novembro de 2008

O novo de Woody Allen

- - - de Rafael, para o na Vitrine.


O na Vitrine já teve tempos melhores e, com essa esporadicidade nas postagens, é possível que demore um tempo considerável até alguém aparecer por aqui. Mas não me importa. Tereza e Renata me entenderão: é preciso que essa porta esteja aberta, para nosso próprio bem. Tem horas que queremos dizer, não importa a quem.

Agora são 2h36 da manhã e acabo de voltar do último filme do Woody Allen, que confesso ter ido relutante. Aos fãs do cara, não me achem um anti-allenzista. Minha única implicância com ele é o outro único filme que assisti de sua autoria: Match Point, no qual o insuportável protagonista faz do longa uma experiência nada motivadora.

Vicky Cristina Barcelona, ao contrário, tocaram-me fundo. Aqui, pretendo fugir um pouco da tradicional análise técnica – roteiro, direção, fotografia, etc –, que, passando por cima, estão bastante agradáveis em seu estilo peculiar. Recursos que só seriam vistos com naturalidade há algumas décadas aparecem vez em quando na película. Uma brincadeirinha que acaba trazendo novos ares para cenas que poderiam ter passado em branco. Por outro lado, o cuidado com a cor lembra um pouco o tratamento de produções mais atuais (ou menos antigas), como Amélie Poulain ou qualquer coisa do Almodóvar.

Prefiro seguir a uma interpretação mais “semântica”. Adianto que este post é destinado àqueles que já assistiram ao filme e pretendem discutir sua mensagem. Aos outros, prefiro que aceitem minha recomendação de não perder esta bela oportunidade de ir aos cinemas. Na volta, podemos continuar deste ponto.


Prefiro que seja assim porque, durante aquelas horas, Woody Allen conversou comigo. Também vou fingir que não vi o que a crítica está falando por aí: que “A Barcelona de Allen [...] é de cartão postal. A identidade catalã não se retrata no filme (...) e a vida mostrada no filme é absolutamente irreal (um artista de sucesso com uma supercasa, um supercarro e com amigos poderosos que lhe emprestam seu avião particular)” [fonte]. Pra mim, isso é pequeno para um filme que, intelectualmente, fala na minha língua. A narrativa faz total sentido e cada cena, cada personagem, cada frase do narrador são como o nó que estava faltando. Porque a mensagem do filme estava lá o tempo todo. Em nenhum momento te deixam esquecer que é disso que estamos falando. Espero ser capaz de justificar este pondo de vista. Vou começar definindo disso.

Disso sou eu. Poderia dizer: disso são as pessoas em geral. Mas subtraio-me de tamanha generalização. Então, quero dizer que o filme fala de mim. De como são os meus relacionamentos e de como eu gostaria que eles fossem, principalmente. Fala que para relacionar-se é necessário sofrer, apesar de caber a mim escolher se isso é bom ou ruim, e de como administrar esta condição. Fala também de como essas decisões e, portanto, meus paradigmas e minhas atitudes, criam novos conflitos e novas inquietações. Fala que, afinal, eu e o outro somos relacionados visceralmente. Relacionar-se é o que faz de mim, eu. Por isso também, a vida traz tantas perguntas e tão poucas respostas. Fala, enfim, que todos somos diferentes; e isso diz respeito a mim.

É fácil, para tanto, notar que cada uma das personagens é componente nascida inteira do seu criador, o autor, e também daqueles “eus” que, como eu, identificaram-se com os conflitos explorados. A saber: Vicky e a necessidade de segurança; Cristina – a inconstância e a vontade de se expressar, dando sentido à própria vida; Juan Antonio – os desejos carnais; Pai de Juan – a perplexidade ante a vida; María Elena – a arte à flor da pele e o talento inato; Doug – o comportamento padrão e o peso das estruturas sociais; Judy – o medo de se frustrar. Todos repletos de dúvidas, insatisfeitos com alguma coisa, e movidos pela vontade de tomar as rédeas da própria vida.

No entanto, é interessante notar também como importantes pequenas decisões tomadas pelo escritor fazem com que a mensagem chegue inteira. As protagonistas Vicky e Cristina têm trajetórias que se contrapõe magistralmente, deixando claro como o rumo das desventuras deve ter sido milimetricamente medido para que a visão de uma não se sobreponha a da outra. Isto é, não vemos um traço sequer de moralismo barato da parte de Allen, defendendo um ou outro ponto de vista. O que vemos é um olhar positivo em cima das atitudes ousadas, no matter what. Por exemplo, quando Vicky enfim tenta dar vazão a seus sentimentos e encontra-se com Juan Antonio, sendo surpreendida por María Elena, armada, e se machuca; é neste momento que a personagem parece enfim estar pronta para tomar uma decisão: manter o casamento ou entregar-se a suas paixões? Nada no filme indica que ela tenha tomado uma ou outra decisão, mas o ponto é que, se ela não tivesse dado uma chance para Juan, ela provavelmente se lamentaria sempre, ao sinal de qualquer pequeno problema. É ainda possível inferir que o comportamento desequilibrado de Ma. Elena a tenha assustado de tal forma a dar-lhe a segurança que ela precisava para continuar casada com Doug. Nesta altura da história, contudo, a personagem Cristina, volúvel e pouco convencional em suas atitudes, já abrira mão da vida a três, tomando uma decisão socialmente “louvável”, enquanto Vicky tomava outra socialmente “mal vista”, apesar dos motivos particulares de ambas. O tom da trama, ao contrário da sociedade, não julga, não pesa, não moraliza. Ele diz: “Tente. Você se tornará mais preparado para fazer as suas escolhas”. É isso o que o narrador tenta valorizar ao dizer que "Cristina voltou de suas férias sem ter certeza do que queria, mas apenas com a certeza do que não queria". É como se esse fosse o único amadurecimento possível.

E por que disso? Como o filme justifica seu conselho, aparentemente inofensivo mas, no fundo, subversivo e até assustador? Ora, é a incompletude do sujeito que está constantemente sendo exposta. Essa incompletude não permite ao sujeito abandonar o peso da dúvida, cujo os únicos remédios são o arriscar, quiçá o arrepender-se. Quando Cristina conta à amiga e a seu marido que, sim, vivia um relacionamento à três, amara uma mulher e estava feliz, é nítida a relação vertical entre o eu e o outro. Uma relação lacaniana, também conhecida como “o estádio do Espelho”. É a visão de que o eu se torna eu no outro. Você nasce e cresce absorvendo dos pais, amigos e estranhos as formas corretas de obter prazer e os objetos corretos de prazer, adequando para tanto sua estrutura psíquica e comportamental. Contudo, os pequenos desgostos da vida nos mostram que nem tudo o que é certo é bom e nem tudo o que é errado é ruim. Portanto, quando Vicky ouve de sua interlocutora uma versão unilateral daquela nova forma de felicidade, perfeita e satisfatória, enquanto discurso; seus pequenos monstros voltam a atormentá-la. Porque o outro é sempre quem nos vende a forma ideal de felicidade, fórmula que nunca conseguimos alcançar e portanto nos sentimos fracassados. É a velha história do jardim mais verde no vizinho, acrescida do agravante pensamento: se ela consegue e eu não, algo só pode estar errado comigo. Este conflito é levado ao extremo quando Judy, sofrendo do mesmo mal, projeta suas frustrações em Vicky, levando às últimas conseqüências a paranóia da protagonista.

Ainda assim, os diálogos informais e descontraídos, o visual bonito e clean, a trilha sonora agradável e outros aspectos técnicos conseguem manter uma invejável leveza emocional durante a película. Essa leveza é de um otimismo ímpar. Não é o otimismo vazio de uma felicidade fortuita, mas o otimismo de quem vê as questões mais profundas e angustiantes do ser e ainda assim consegue aproveitar a vida. O pai de Juan Antonio é provavelmente a personagem que carrega melhor essa mensagem. Veja, a imagem de um poeta velho que não publica seus textos por vingança contra a vida não pareceria tão saudável e sorridente senão na fotografia de Allen.

A grande mensagem do filme acaba sendo como um remédio eficaz contra nossa insatisfação crônica. Quando Penélope Cruz, na voz de sua personagem deliciosamente maluca, acusa Scarlett Johansson de nunca estar satisfeita com nada, ela é uma metáfora perfeita da própria vida cobrando-nos sossego. Da mesma forma que Cristina encontra-se insatisfeita, mesmo depois de fugir dos padrões de relacionamento para dar significado a sua vida, o mesmo ocorre com o restante das personagens, em especial Vicky, que se questiona se sua vida perfeitamente “dentro dos planos” lhe trará tranqüilidade (ou felicidade). É nesse sentido que a vida das personagens, e também as nossas, parecem nunca finalizar-se. O filme propõe então esse equilíbrio perigoso, incitando-nos a fugir da mesmice e do óbvio (exemplo, na ridicularização da superficialidade dos amigos de Doug), mas aprendendo a dar valor a nossa própria história e às nossas próprias conquistas. Nas telas, tudo é arquitetado para que possamos compreender isso com plenitude, mas sabemos como na vida real é complicado e difícil enxergar sempre os dois lados da moeda.

Com isto, chega a ser ácida sua visão sobre aqueles que ainda acreditam em certo e errado e preocupam-se, como Doug, em poder dar palpite sobre as escolhas que não são suas. Quando este afirma tão categoricamente que Cristina está fadada à eterna busca por felicidades fugidias, não é capaz de perceber que um certo amadurecimento de sua esposa a levava à inquietações tão semelhantes às da amiga. Outro ponto acertado na história é a participação mínima de Doug, que não chega a ser mortificado. É como se seu “lugar comum” já estivesse pré-perdoado por nós ante a massificação do comportamento.

Por fim, o filme trata do desapego aos ideais. Citando o lema de Maria Elena e Juan Antonio: “o amor só é completo quando idealizado”. Porém, completo não é feliz. É engraçado que esse seja exatamente o joguinho capsioso do filme, que nos diz o contrário: que é a idealização que nos causa sofrimento, e que o amor nunca pode ser esse jogo solto de palavras. Ao dar tratamento equivalente à Vicky e à Cristina, à razão e ao impulso, ao padrão e ao exótico, Allen valoriza a história única (e bonita) de cada personagem. Mostra-nos que não há fronteiras quando nosso objetivo é buscar a felicidade, e mostra, por outro lado, como é infrutífero pretender encontrá-la.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Gossip Girl




Warner Channel, às quintas-feiras
20:00 h




de Renata, para o na Vitrine.






Eu que vou quebrar o hiatus de mais de um mês? Que legal!


Na nova safra de séries que estréiam este mês na Warner, um elemento em particular chamou a atenção desta vestibulanda levemente irresponsável.



O draminha Gossip Girl. Óbvio substituto de O.C (e seu final intragável) para o público pré-adolescente (que espera ansiosamente que suas vidinhas sem-graça se tornem tão emocionantes quanto às da televisão) e adolescente mesmo (que sabe que não daquele jeito meeeesmo). No entanto, Gossip Girl, baseado no livro de título homônimo da autora Cecily von Ziegesar, vai muito além de substituir O.C.


Gossip Girl é O.C.



Sim, houve algumas alterações. Deixem-me explicar em dois tópicos:



1 - O cenário. Em vez das praias quentes da Califórnia e suas mansões com chão de mármore encomendado da Espanha, que fornecia garotas esculturais desfilando em biquínis e shortinhos de 15.000 doláres, temos a fria Nova York e seus prédios chiquérrimos cujos alugueis alimentariam crianças africanas por anos a fio, e garotas esculturais desfilando em casacos pesados feitos de sabe Deus o que, mas com preços acima de 30.000 doláres, sem dúvida.



2- As personagens. O centro da série é Marissa Cooper, que voltou do túmulo com um pouquinho mais de simpatia e miolos, dessa vez na pele de Serena van der Woodsen (Blake Lively), mas ainda sendo o sonho de consumo de todos os seres vivos que a rodeiam e questionando sua existência nos goles de álcool que toma por dia.





Serena-Marissa, no início do primeiro episódio, acaba de voltar para N.Y de um colégio interno onde tinha ficado por meses, sem dar satisfação a ninguém, inclusive sua melhor amiga, Blair Waldorf (Leighton Meester), ou Summer Roberts, se vocês preferirem.

Blair-Summer também mudou um pouquinho, está bem menos tolerante e bem mais irritante porque não tem mais seu Seth Cohen a tiracolo. Blair é praticamente casada com Nate Archibald (Chace Crawford) uma personalidade nova na trama. Ele faz um papel de pobre-menino-rico que me surpreendeu (de tanta pateticidade). Como vocês já devem perceber, Nate morre de amores por Serena e já no primeiro episódio descobrimos que o exôdo de Serena para um internato em Conneticut tem muito a ver com isso.

Ryan Atwood e Seth Cohen se fundiram no melhor personagem apresentado até agora: Dan Humphrey (Penn Badgley). Dan tem a coragem de um e a comicidade do outro e vem com um novo acessório, sua irmãzinha Jenny Humphrey (Taylor Momsen), que graças a Deus não é nada parecida com Kaitlin Cooper ( a irmã da Marissa original, que era tão chata que dava vontade de morrer e matar) e é caloura no colégio onde todos esses adolescentes de 25 anos estudam. Dan também lambe o chão onde Serena pisa, mas no primeiro episódio, pelo menos, ele recebe uma pequena recompensa por isso.


O vilão é Chuck Bass (Ed Westwick). Ele não é de sair batendo em quem não é bem vindo em seu território mas diverte-se em acumular conquistas e seu troféu mais desejado e ainda não adquirido é adivinha quem?


O resto é igual. Os pais dessa galera (cujos atores devem ter no máximo, uns 35 anos) se dividem novamente entre os pólos do bem e do mal que o dinheiro constrói. As mães ainda se preocupam com a aparência das filhas (além das próprias pontas-duplas) e os pais ainda se dobram e desdobram nas artimanhas de poder que constituem as mega-empresas americanas. Sandy Cohen porém, virou um rockeiro fracassado gatíssimo, pai de Dan e Jenny. Mas o engajamento social da série ainda é fornecido por ele. Kirsten Cohen não apareceu e acho que ainda vai demorar para ela dar as caras. Fugiu de casa, a procura de si mesma, aparentemente.


E tudo isso é narrado pela Gossip Girl. Uma espécie de Big Brother da elite de Nova York, onipresente, onisciente e a terceira coisa que Deus é. A voz desse site que todos os High School Kids acessam esperando ver uma pequena menção de si mesmos é da atriz Kristen Bell, a mesma protagonista de Veronica Mars, que a Tê tanto ama

Bom, não preciso falar muito da trama não é mesmo? Americanos jovens, ricos e bonitos e suas situações quase tão catastróficas quanto o Tsunami na Ásia.



Pode não parecer, mas esse post é uma recomendação. É que eu gostava de O.C sabem..





P.S nada a ver com o post. Eu só queria fazer um comentário já que estamos falando de séries e ver se vocês concordam comigo. Eu estava assistindo alguns episódios antigos de FRIENDS e eu acho que o Ross tinha mais razão que a Rachel. Eles tinham dado um tempo e ele estava devastadoramente arrasado e bêbado. Ela é uma exagerada egocêntrica e tinha saído com o Mark no mesmo dia que tinha brigado com o Ross. Eu perdoaria e pouparia mais de sete temporadas de enrolação para que eles ficassem definitivamente juntos.








quarta-feira, 5 de setembro de 2007

O ano em que meus pais saíram de férias

- - - de Tereza, para o na Vitrine.

Um filme sobre infância, futebol, judaísmo, repressão e ditadura. E de repente parece que você está assistindo um desses filmes sensíveis italianos sobre a guerra. O que faz sentido, porque eu sou da opinião que em termos emocionais e artísticos o que mais se aproxima da guerra pro Brasil, e talvez para a América do Sul, seja a ditadura. Por isso é um tema tão revisitado.

E apresenta algumas inovações. São poucas explosões, as catarses são silenciosas, poucas vezes óbvias, o que dá uma qualidade diferente pro filme. O Cao Hamburguer é um bom diretor, principalmente de imagens, ele sabe onde colocar a câmera, sabe o que filmar. E a fotografia é primorosa, o ritmo nervoso quando tem que ser e estático, quase agoniante quando é necessário.

O maior problema do filme, sinceramente, são as atuações. Ou melhor, os diálogos. Tem uns que são dificéis de engolir e você pensa que o problema são os atores. Mas não, porque assim que eles calam a boca e só reagem, o filme melhora 200%. Ainda bem que na maior parte do tempo é silencioso.

É um drama, sim, mas tem momentos muito engraçados. Graças a Deus não é daqueles dramalhões forçados.

Uma das coisas que mais me impressionou é o quanto a infância é bem retratada. Filmes costumam ter duas formas de tratamento, ou são crianças hiper precoces que tomam conta dos adultos ao seu redor, ou são debeis mentais que nunca tiveram educação, todos com idade mental de 3 anos. Aqui as crianças apresentadas parecem reais, lembram a minha infância e da dos meus amigos.

Por fim, a metáfora de que o goleiro quem deve estar sempre preparado, embora esteja sozinho até que é sutil. Um filme bom, que tinha potencial pra ser ótimo.


segunda-feira, 13 de agosto de 2007

A vida secreta das palavras


- - - de Tereza_, para o na Vitrine.


Uma mulher loira, não muito bonita, não exatamente feia, com olhos muito mais velhos que o resto do rosto, janta, lava a louça, e se deita sem fechar aos olhos. Ao fundo uma voz infantil relata fatos do cotidiano: ela afaga meu cabelo, me conta histórias, canta pra mim, ás vezes chora... E cena.

Quem é a criança? Quem é essa mulher? Essa é a questão do filme. Ela não fala muito, gosta de ser deixada em paz, mal reage. Apenas sobrevive.

Ela pega um ônibus, duas senhoras discutem Vin Diesel e Van Dame. Conclusão, Vin Diesel é melhor ator, Van Dame talvez tenha mais músculos. Será isso importante? Será que qualquer coisa da vida importa?

A mulher, Hanah é seu nome, é contratada como enfermeira para cuidar de uma vítima de um acidente em uma plataforma de Petróleo que esta sendo desativada.

Longas cenas de dialogo, com cortes que parecem pulos no tempo mas na verdade são voltas. O acidentado é um americano que apesar de temporariamente cego e com queimaduras dolorosas pelo corpo todo, aparentemente não consegue parar de falar. Inicialmente ele destoa do resto do filme, que é escuro, fechado, silencioso, mas ele é um dos personagens mais tristes.

Através de mentiras ela conta verdades pra ele, no que se revela ser um recorte de tragédias. Como apreciar a vida, ser simpático a tragédia de outros, não achar tudo obsoleto, quando a pior coisa do universo aconteceu com você? Quando até a morte é uma benção que te é negada?

Ele é melodramático e carente, ela seca e divertida. Por mais devastadora que seja a história nunca é piegas ou melosa. Tem até seus momentos de leveza. Um mistério é instigado, mas quando for a hora de você saber a verdade será que vai ter estomâgo?

Eu entendo a intenção do filme, é importante que certas coisas não sejam esquecidas, mas será que depois de tudo ainda é possível um final feliz?

A voz infantil acredita que sim, aparecendo numa hora em que já nem me lembravámos dela. Resta saber se nos acreditamos nela.

O filme é ousado, mas não saí dele pensando "nossa, que filme bom" e sim "nossa que filme triste". Será isso o suficiente?

sábado, 11 de agosto de 2007

A Saga do Tio Patinhas


- - - de Tereza, para o na Vitrine.


Carl Barks é um dos quadrinistas mais importantes de todos os tempos, e com certeza o mais importante da Disney. Também conhecido como homem dos patos, foi nas mãos dele que o universo de Patópolis e a personalidade atual do Pato Donald tomaram forma. Seu personagem mais complexo porém, sempre será Patinhas McPatinhas, ou simplesmente Tio Patinhas.

Ao longo do seus anos de trabalho Barks deixou várias pistas do passado do pato mais rico do mundo em suas histórias, mas nunca montou uma biografia oficial.

Isso só aconteceu no início dos anos 90, quando a Don Rosa, discípulo confesso de Barks, foi encomendado pela Disney uma edição de aniversário, que pudesse seguir, na medida do possível, a cronologia proposta por seu criador.

Quase 17 anos depois, finalmente chegou ao Brasil uma das mais bem feitas compilações dedicadas ao formato. No estilo americano, papel especial e um puta comentário editorial "A Saga" é um deleite.

Dividos em três livros, as histórias narram desde o jovem Patinhas na Escócia, ganhando a moedinha número 1, até suas aventuras, já como o pato mais rico do mundo, com seus sobrinhos Donald, Huguinho, Zezinho e Luisinho.

Patinhas fez de tudo, foi cowboy, garimpeiro, dingo e grumete. No ínicio tinha ambições modestas, ir para América para conseguir mandar dinheiro pra família, mas a medida em que vai conhecendo o mundo e se desencantando com ele, seus sonhos de grandeza vão aumentando, chegando ao ponto de se alienar quase totalmente.

Mas vou me adiantando. Patinhas começa como um jovem esperto porém, ingênuo que aprende desde cedo que com trabalho duro e perseverança tudo pode ser alcançado. Ele encontra muitos bandidos pelo caminho, inclusive o protótipo do que seriam os irmãos Metralha, mas é apenas com o bandido McMônei, em um dos melhores capítulos da história, que alguma coisa se quebra em suas convicções. Não vale a pena confiar nas pessoas, é melhor se virar sozinho, pois senão você pode ser passado pra trás. Até o dia em que contraria tudo o que foi ensinado e, por puro orgulho, resolve se vingar de alguém que aparentemente não é seduzido pelo dinheiro. Atinge o fundo do poço, e só com muito esforço consegue sair. E isso tudo vem de um pato falante.

Carismático, corajoso, esquentado e muquirana, conhecendo sua família dá pra entender o porque dele ser assim. Além dos pais e das irmãs, vemos seus ancestrais e suas primeiras ligações com a família da vovó Donalda.

A Saga também está intimamente ligada a história americana, misturando os personagens Barkasianos com pessoas reais (Patinhas deu uma surra em todos eles), como Bufalo Bill e o presidente Roosevelt. Inclusive ótima a cena em que sua irmã Hortência, mãe do Pato Donald, dá um sermão em Teddy reclamando o voto feminino.

Os capítulos com Dora Cintilante, o grande amor da vida dele, são altamente sugestivos ("vocês são jovens demais pra isso" afirma o Pato Donald quando seus sobrinhos perguntam sobre ela), e estão entre os melhores. Afinal, como seria um vida de perigos e aventuras sem um romance.

A arte é mais do que maravilhosa, de um realismo impressionante, uma completa atenção aos detalhes, gags visuais fantásticas, algumas cenas parecem que poderiam ser emolduradas. Sem exagero, só as sombras já seriam o suficiente para um estudo artístico.

Por fim, a grande lição é que muito mais importante que o destino, é a jornada. E você está convidado para essa.



terça-feira, 7 de agosto de 2007

21 Gramas

- - - de Rafael, para o na Vitrine.

"Dizem que perdemos 21 gramas no preciso momento da nossa morte...todos nós. O peso de cinco moedas. O peso de um pedaço de chocolate. O peso de uma borboleta...Quanto pesa a vida?"


Título Original: 21 Grams
Gênero: Drama
Direção: Alejandro González-Iñárritu

Essa crítica, vou começar pelo defeito: o roteiro. Não quero dizer que ele seja mal feito ou mal trabalhado, mas a verdade é que eu já enjoei disso: recortes de cenas, vindas de espaços, tempos e personagens diferentes, montando um grande quebra-cabeça que só vai fazer sentido no final, à la Crash, O Grande Truque, Babel (por sinal, do mesmo diretor)... para citar os mais recentes, apesar de existirem muitos outros semelhantes. Pra ser sincero, essa é exatamente uma característica que teria feito o Rafael de alguns anos atrás se apaixonar perdida e loucamente pelo filme. Acontece que, não sei, essa receita não me impressiona mais. E quer saber, eu nem deveria ter escrito que isso é um defeito. Eu sei que, nas Artes principalmente, nada se cria; tudo se copia. Esse parágrafo foi tão pessoal que não faz nem sentido. Por tanto, a menos que você tenha se identificado com os meus sentimentos, para você a crítica começa agora.

21 Gramas é um desses filmes de beleza plástica. A câmera tremida, sabe, dá aquele ar de cinema alternativo muito gostoso. E o efeito não engana. É muito bem encaixado. Os filtros de cor também, causando um contraste sutil, uma impressão meio opaca. É tudo muito impressionante e bonito. Mas nada tão na cara. A beleza da fotografia é tênue... Apreciei bastante.

É um filme de impressões. Com símbolos muito fortes. Numa das primeiras cenas, um pai e suas duas filhas pequeninas sentados numa lanchonete, eu senti isso. O close da câmera está num canudo saindo de um líquido negro e borbulhate. A cena vai abrindo e descobrimos, em segundos apenas, que é a criança quem sopra o canudinho para borbulhar sua Coca-Cola. Mas a sensação inicial não era essa. Era de algo mais nojento, eu imaginei que fosse alguma droga, não sei porquê (alguém já ouviu falar em uma droga líquida, negra e borbulhante? Eu não). E, então, as crianças com seu pai. Um jogo muito estranho. Durante todo o filme, tudo permaneceu com a sensação de ser mais bonito do que parecia. Mesmo as cenas fortes, com drogas (de verdade) e sangue.

“Um filme de AMOR, ESPERANÇA e VINGANÇA”, dizia na capa do DVD. Mas, sinceramente, eu não esperaria encontrar muito disso não. Na verdade, por mais que seja uma trama complicada, e personagens profundos, tudo me pareceu justamente sem história. As cenas são ótimas. Mas não há lições de moral, e nem fica tão claro qual era o coração da trama. Eu diria que é, antes, um filme de como a vida passa, de como as pessoas são. Assim mesmo, sem grandes propósitos, como se o tempo simplesmente passasse. Apenas isso. O que não é pouca coisa.

O incrível é que eu sinto que o filme me impressionou da forma justamente oposta à proposta do diretor. Gostei muito das suas qualidades, mas não me surpreenderia se qualquer um achasse essa crítica completamente precipitada.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

A Rainha

- - - de Rafael, para o na Vitrine.


Título Original: The Queen
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 97 minutos
Site Oficial: www.thequeen-movie.com
Direção: Stephen Frears


Morre a princesa de Gales, Diana, a lady Di, a princesa do povo. E você pensou que o assunto já estava saturado...

Em A Rainha, um dos filmes mais indicados ao Oscar 2006, nos é dado penetrar a intimidade da família real inglesa quando do acidente. Um filme que acaba por redimir, lógico, artisticamente falando, a frieza a qual a rainha Elizabeth II (Helen Mirren) apresentou ao seu povo, insensível à fatalidade; e, por que não?, por pouco não beatificou o recém-eleito Primeiro-Ministro Tony Blair (Michael Sheen).

Longe de qualquer conotação política, é um filme da vida privada da nobreza. Humano e singular acima de tudo. Não é à toa que A Rainha tenha rendido o Oscar de melhor atriz à H. Mirren. De forma belíssima, a personagem principal toma vida na produção. Uma mulher que parece não existir em seus conceitos e fragilidade. Parece não caber no mundo, quando nasceu rainha e mostra uma estranha simpatia ao ato de votar. Talvez até o quisesse, só por experimentar. E, pasmem, até chora.

Não. Não o vejo como um filme político. Vejo-o como a experiência de uma vida irreal, ou não vivível.

Imperdível.

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Harry Potter e a Ordem da Fênix

- - - de Tereza, para o na Vitrine.

Gênero: Drama
Tempo de Duração: 138 min
Direção: David Yates
O terceiro e o quinto filme da série Harry Potter são os melhores. Por que? Dizem que a maneira mais fácil e eficaz de chamar a atenção do ser humano é através do sexo e da violência. O terceiro filme fala sobre sexo, esse sobre violência. Por que o terceiro ainda é melhor? Bom...

A cena que resume o que é o quinto filme se dá perto do final, quando Dolores Umbridge (Imelda Staunton), sem aviso, sem pensar nas consequencias, com barulho em meio ao silêncio dá um tapa violento em Harry. É isso que David Yates, o quase novato diretor, faz com o espectador, machuca tão rápido que ele mal percebe, mas ainda assim dói.

O filme é político e só por isso já carrega em si a violência. A violência de um governo que manipula cidadãos e a impressa a pensar que a guerra não existe, que tudo não passa de traição, traição à nação, traição à toda uma raça. A negação pode ser a maior das violências e não é por acaso que o Ministro (cargo mais democrático impossível) tem sua foto estampada aos molde de um certo Fuher, só faltando uma suástica para ficar mais claro. Mas Harry Potter é, felizmente, mais sutil que isso.

Até agora foram dois vilões, e ainda nem comecei a falar do Voldemort. E adivinhem, não é tudo mais um plano maléfico para a conquista do mundo, os "mocinhos" fazem mal uns aos outros. O mundo não é mais o que era antigamente.

Voltando a Umbridge, até agora a mais eficaz vilã dos filmes, começa achando que sua influência se dará através do soft power (já viram "O Dia em que o Brasil esteve aqui?") mas perde o controle rapidamente diante da convicção de Harry, uma mentira contada cem vezes se torna uma verdade, mas é mais difícil convencer aqueles que já sofreram demais por causa dela. Sangue mancha a reputação de Hogwarts, finalmente deixando de ser percebida como um refúgio, e não é sangue de batalhas. As palavras são mais fortes do que a espada. Umbridge não é nada burra.

Felizmente Hermione Granger, assumindo posto de segunda protagonista, também não. Acertadamente Yates expande o tempo dela no filme, difícil uma cena em que sua presença, física ou não, não é sentida. Só um personagem complexo como ela compreenderia tudo o que está se passando, e por isso muitas vezes o ponto de vista é o dela, ela observa muito e passa boa parte do filme sentindo e maquinando. Porém como é uma jornada emocional, apenas quando a professora que ela menos respeita é humilhada publicamente resolve tomar uma atitude. A cena é excelente inclusive. Emma é capaz de em alguns segundos demonstrar tudo o que se passa na mente e coração do personagem, sem falar nada. Você quase pode ver a linha de raciocínio e o segue sem grandes problemas. Rebelião é a resposta, quebrar com o sistema que ela tanto ama e tira forças é a melhor saída.

Pode-se argumentar que ela é o cerébro do trio mas aqui ela atua como o coração. Nada deixa de ser racional, mas o que a motiva é o que ela sente, essa vontade de deixar o mundo mais seguro nem que seja as suas custas.

A cena em que o espelho se quebra com a imagem dela refletida diz tudo. Esqueçam aquela antiga Hermione, aquela velha imagem, a nova vai guiar vocês, a nova é uma líder.

Pela primeira vez o filme focaliza na amizade dos três, e talvez por isso pela primeira vez Rony não me irrita. Ele age com um bom amigo que já se acostumou a ser o menos especial da turma e que não se incomoda com isso. As pequenas cenas em que eles estão apenas conversando, coisas importantes ou não, são jóias. A ação fica pra depois, quando Harry finalmente entende que eles estão nisso juntos.

A tensão permeia o tempo todo. É o menos engraçado (e engraçadinho) de todos, a única cena em que eu ri foi a da apresentação da personagem tragicômica Luna Lovegood, não que ela seja uma piada, mas sim porque ela é fodástica demais. Uma sabedoria tão excentrica ficaria ridícula nas mãos de uma atriz menos competente, mas Evanna Lynch dá conta do recado. Ela foi feita para o papel, comparando-se apenas à escalação da Emma, anos antes. Em momento algum perde-se a impressão que ela sabe mais do que todos os outros personagens juntos, até mesmo quando está sendo judiada. Ela já aprendeu a lidar com a violência e daí vem seu charme. Harry tem que aprender dela também.

Não vale muito a pena discorrer sobre Neville e Gina, já que os papéis são mais que secundários. Se eu não tivesse lido os livros provavelmente me perguntaria o que eles estão fazendo quando invadem o ministério, por que eles estão ali. Sejamos francos, os gêmeos tem uma papel mais importante que esses dois.

Quanto ao Harry, acho que concordo com a maioria das escolhas feitas nesse filme. Cortarem as inúmeras crises emo que o rapaz tem no livro e condensa-las em apenas uma foi o melhor caminho, existe assim mais espaço para o crescimento emocional verdadeiro. Finalmente mais confortável no papel de líder (com um empurãozinho de Hermione, é claro) as cenas do DA são uma delícia, se houve algo light foram elas. Mas não devemos esquecer que todas tinham um objetivo maior, defesa, para se defender de Voldemort, mas também para se defender da opressão. Para se defender da violência imposta pelos "mocinhos".

E quando finalmente ele tem que pôr essa defesa a prova, falha na metade do teste. Aprendeu a contornar e evitar a opressão, mas mesmo assim todos seus amigos, seu companheiros de batalha, caem sob jugo inimigo e seus destinos estão em suas mãos. E é hora de fazer a escolha mais difícil, condenar o mundo mágico (e o trouxa) às trevas ou assistir os amores da sua vida serem mortos na sua frente, quando você podia evitar. Harry faz a escolha certa, e mesmo assim paga. Daniel nunca esteve melhor do que na cena do exorcismo, com um gesto, um olhar, ele se torna Voldemort, no outro volta a ser Harry. Novamente, tão rápido e violento que você mal percebe. Você mal respira. E o desfecho é tão desesperançoso que dá vontade de chorar. Chorar pela beleza, não pela tristeza.

Essa é a história básica do filme, mas algumas coisas ainda valem a pena mencionar. Talvez seja confuso entender porque eu afirmei que o terceiro filme é sobre sexo se é nesse que Harry finalmente beija a sem-gracinha Cho Chang. Bom, beijo sem química não significa nada, e se algo falta aos dois é isso. Já a Emma tem química até com um poste então encerro meu caso.

Voldemort é mais assustador quando não está presente, principalmente quando na batalha com Dumbledore fica claro que ele leva certa desvantagem. Gosto mais deles nos sonhos (e que cenas mais lado negro da força são aquelas). Mas eu gosto muito de todo o simbolismo do Voldemort rasgando o poster propagandista de Fudge. Um mau maior.

O filme é pontuado pelo silêncio e pela escuridão, o ritmo é fantástico, sem deixar de ter brincadeiras de câmera e referencias que só enriquecem, esse é um filme de verdade, não apenas uma adaptação de livro. O momento mais barulhento e colorido, protagonizado pelos gêmeos, é logo quebrado pela literal queda de Harry. E que cena é aquela! Sei que câmera lenta é brega, mais funciona tão bem ali! De novo, Emma Watson faz tão bem o papel de protetora.

Saí do filme sem fôlego e com gostinho de quero mais. Esse merece um lugar na estante.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Zuzu Angel

- - - de Rafael, para o na Vitrine.

"Se eu aparecer morta, por acidente ou outro meio, terá sido obra dos mesmos assassinos do meu amado filho"


Título Original: Zuzu Angel
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 110 minutos
Site Oficial: www.zuzuangelofilme.com.br
Direção: Sérgio Rezende


Outra pedida nacional. A história real de uma estilista de moda brasileira que perde o filho para a ditadura militar. Ela, a típica cidadã de classe média; ele, o típico adolescente rebelde e idealista. A dor da perda se torna tão grande para Zuleika Angel Jones, a Zuzu Angel (Patrícia Pillar), que, inconformada com a arbitrariedade e o descaso do Estado, acaba também tentando fazer justiça, denunciando as atrocidades que acometeram seu filho.

O filme tem o mesmo clima de Olga, exatamente o mesmo; inclusive o ar de que poderia ter sido bem melhor, bem mais profundo e menos televisivo. Talvez mais estiloso visualmente, destacando cores fortes. Mas não consigo destacar nada de formidável na adaptação. Apenas a própria história de vida dessa mulher.

Minto: os créditos iniciais são de real beleza estética.

No final, é apenas mais um bom filme da Globo.

domingo, 8 de julho de 2007

O despertar de uma paixão

- - - de Rafael, para o na Vitrine.

Título Original: The Painted Veil
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 125 minutos
Site Oficial: www.thepaintedveilmovie.com
Direção: John Curran

Sinopse: Um casal se casa pelos motivos errados, indo morar em Xangai logo em seguida. Lá ela o trai e, para se vingar, ele aceita um emprego numa vila remota na China. Com Edward Norton, Naomi Watts e Liev Schreiber.

Eu sei. Com esse título não dá nem para esperar nada do filme. Mas, para começar qualquer tipo de argumento, vou frisar um único fato: O título original é The Painted Veil. Nhó! Mania de brasileiro de estragar o que não devia. Hunf...
bom, o título original também não tem nada a ver com o filme, mas isso é um detalhe apenas.

Independente de títulos, a verdade é que o filme é, no mínimo, fascinante. Mais que um romance, é um tratado sobre a fragilidade humana. O objetivo dele não é mostrar como os protagonistas foram feitos um para o outro, mas justamente o contrário: o amor não precisa que a gente dê certo; a gente é que precisa que o amor dê certo entre nós. Tudo isso dentro de um cenário doído, numa vila isolada na China. Foco da raiva, uma epidemia fatal, onde o doutor Fane leva sua esposa britânica e mimada Kitty, após descobrir sua infidelidade. E, acredite, não é tão vingativo quanto parece.

Na verdade, os Fane são o casal mais adorável por quantidade de defeitos já registrado na minha memória.

domingo, 1 de julho de 2007

a menina que roubava livros

- - - de Tereza, para o na Vitrine.








Autor: Markus Zusak
Editora: Intrínseca
Título original: The Book Thief
Tradução: Vera Ribeiro




É comum ter dois pés atrás quando se trata de best-sellers, principalmente depois de Código Da Vinci (se você gostou dificilmente vamos nos entender), mas esse vale a pena.
Quase um conto infantil, só a premissa da narradora ser a Morte já é divertida. Afinal, quem é mais gentil, engraçada e imparcial que a Morte? Engana-se quem pensar que o livro é sobre a segunda guerra, ele se passa na guerra, a guerra é importante, mas a verdade é que é tudo uma grande homenagem a qualquer um que acredite que livros podem ser a coisa mais bela e importante da vida.
Esteticamente ele já vale a pena, misturando narrativa tradicional com pequenos, o que, poemas? Conselhos? Provérbios? E ainda encontrando espaço para ilustrações e levando aos extremos de ter um livro dentro de um livro. Fantasia metalinguistica completa.
Acima de tudo o livro apresenta grandes personagens. A protagonista é interessante, inteligente e acima de tudo, alguém que poderia muito bem ser real. Sua família é totalmente adorável e nem me deixe começar a falar sobre os dois homens da sua vida.
Max, um judeu se escondendo é a epitome do sofrimento mas dificilmente você sente pena dele, ele é muito forte pra isso.
E Rudy Steiner, o galante, valente, muitas vezes idiota Rudy, quem poderia recusar um beijo dele? O exemplo da perfeição ariana. Ele também odeia Hitler. Ele ensina que também é possível haver infância e ser feliz até na Alemanha durante a guerra. Que um alemão ariano pode admirar (e imitar) Jesse Owens. É, eu estou meio apaixonada por ele. Você também vai ficar.
É claro que é tudo muito triste. Nas minhas anotações (já fizeram isso? altamente recomendável) eu chorei pela primeira vez na página 37 e porque? Porque alguém morreu? Não, porque eu achei alguma coisa bonita. Chorei de novo na página 189 e finalmente na 226 meu coração se partiu. Mas de um jeito bom.
Inclusive, é um bom livro pra masoquista, já que a Morte, omnisciente conta antes as coisas que vão acontecer. Ou seja, você sofre por antecipação.
O livro não é perfeito, é comercial pra caramba, mas ousa ser diferente quando podia ser só mais um. Deixe-se tocar, faz bem para a alma.






terça-feira, 26 de junho de 2007

A Saga de Emmanuel


de Renata, para o na Vitrine



No meu primeiro post-recomendação, escreverei sobre obras consideradas não exatamente "normais". De acordo com a crença espírita, livros podem ser concebidos por escritores sem eles estarem, ahm... vivos (em um conceito muito pequeno de vida e morte, mas isso não vem ao caso). Pois bem, o espírito Emmanuel é um deles.

Na verdade, ele pode ser considerado o mais importante autor da literatura espírita do Brasil. Em seu trabalho, principalmente através do médium Chico Xavier, somam-se mais de cem obras. Todas carregam lições e esclarecimentos quanto à doutrina e enriqueceram muito os estudos kardecistas. Cinco desses livros porém, destacam-se dos demais.

Paulo e Estevão, Há Dois Mil Anos, Cinquenta Anos Depois, Ave Cristo e Renúncia são os grandes romances históricos do Espiritismo. Emmanuel narra em uma escrita rebuscada e difícil mas de grande vivacidade e beleza, as vidas de personagens reais em épocas especiais da humanidade: o império romano e o surgimento do cristianismo, a descoberta das Américas e a Revolução Francesa. E se você quiser acreditar, cada descrição, gesto e fala realmente aconteceram. Não sei bem como funciona lá em cima, mas acho que houve uma espécie de cinema, onde Emmanuel pôde assistir as "gravações" espirituais e depois passá-las para o papel. O que na verdade deve ter sido muito difícil, pois vidas dele próprio se incluem nas narrações.

Os livros te envolvem em ambientes sofridos e te fazem participar das situações emocionantes das personagens. Situações que podem parecer à primeira vista, meramente literárias, mas que se considerarmos como destinos dos homens se cruzam e que nada, absolutamente nada, nos acontece por acaso, tudo é completamente real.

Emmanuel não escreve esperando uma boa crítica da Folha de São Paulo ou um convite para a Academia Brasileira de Letras. O que ele deseja é que através de sua saga, analisemos nossos próprios atos e decisões e como eles influeciam o restante de nossas existências. Os livros também, obviamente, possuem alto cunho cristão, mas não condenam aos faltosos da religião, o eterno fogo do inferno. Ao contrário, procura provar que as oportunidades de evolução e o perdão aos espíritos são eternos. Pode até ser difícil se redimir, mas nunca impossível.

Por fim, prepare uma caixa de lenços (ou no meu caso, um sorine), porque você vai chorar até! Não espere finais felizes, porque essas histórias são terrenas, e como todo bom espírita sabe:

A Felicidade não é deste mundo.

domingo, 24 de junho de 2007

Battlestar Galactica


- - - de Tereza, para o na Vitrine.




site oficial: http://www.scifi.com/battlestar/index.php

produtores: Ronald D. Moore e David Eick

Elenco: Edward James Olmos, Mary McDonnell, Jamie Bamber, Katee Sackhoff, James Callis ,Tricia Helfer, Grace Park,Michael Hogan e Aaron Douglas.




O que acontece quando você junta West Wing, com Star Trek, com Blade Runner, com Top Gun, com A Odisséia, com Karl Marx e filosofia? Battlestar Galactica acontece. Com roteiros quase sempre impecáveis e um dos melhores elencos de todos os tempos (pense V. Mars segunda temporada) BSG não é uma ficção cientifica igual as outras.

Apesar do aspecto futurista, a história se passa no passado, no máximo no presente, quando a humanidade, depois de ser quase toda eliminada, tenta chegar à Terra, um refúgio à muito prometido. É uma mentira é claro, um conto usado para lubridiar o povo que a sobrevivência é possível. Uma mentira que talvez tenha um fundo de verdade, afinal. Ah, e eu já contei sobre os robôs humanoides assasinos que no fim das contas só querem aprender a amar. Não se preocupe, não é simples assim, nada em Battlestar é simples.

Baseado na sociedade americana e na mitologia greco-romana, a série se propõe a mostrar o lado mais feio do homem, e daquilo que o homem cria, o que acontece quando não existe mais nada a perder, como é possível criar vínculos numa época em que qualquer pessoa tem um grande risco de morrer o tempo todo. E todos sofrem esse risco, todos mesmo (sabe o quanto te frustra você ter certeza que eles nunca vão matar o Jack em Lost? Nessa série essa preocupação não existe).

Cada cena, cada frase tem camadas e mais camadas de simbolismos e níveis a serem desvendados. E não adianta procurar por detalhes, está tudo ali, estampado, esfregado na sua cara, só resta saber se você é capaz de ler ou prefere fechar os olhos. É tudo muito cerebral e ao mesmo tempo emocional, além de te fazer pensar te envolve na história de maneira que cada soco na cara que alguém recebe é sentido por você também. É sobre a guerra e sobrE sanidade e como você faz pra sobreviver quando sabe que nunca mais vai voltar pra casa.

Não existe lugar pra maniquéismos, todos são, na melhor das interpretações, anti-heróis. Chega a ser mais real do que a própria vida. E mais doloroso. O show se desdobra em várias histórias paralelas, todas com a mesma importância, todas com apenas uma coisa em comum, uma nave de batalha que estava prestes a ser aposentada.

Fora as inovações, super elogiado por seu realismo, as naves não fazem barulho quando no espaço, o som não se propaga no vácuo, mas isso não me importa. Nunca houve uma ficção científica mais girl power, melhor piloto-guereira-bêbada, mulher, presidente, mulher, cylon mais foda, mulher, melhor alucinação, mulher. E nada de feminismos, mulheres fortes precisam de homens fortes ao seu lado, não atrás. Não existe redenção para elas, é tudo tão difícil quanto.

E eu nem comecei a falar sobre o trabalho de câmera e da trilha sonora. Perfeição, essa é a palavra.

E ela nunca foi tão pessimista (otimista) e cinza (colorida). Genial.




Observação importante: além de tudo isso, todo o elenco é lindo. Até mesmo quando não é.

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Heroes

- - - de Rafael, para o na Vitrine.




Terminei de assistir Heroes, o seriado com a trama em que eu mais apontei defeitos em toda a minha vida. E, no entanto, recomendo porque o resultado final é muito bom.

Heroes tem como protagonistas pessoas até então “normais” por todo o globo, que, porém, descobrem em si certas habilidades. Alguém já viu X-Men? É exatamente aquilo. A mesma combinação “evolução da humanidade” e “mutações genéticas” e “seleção natural”. Entre os poderes desenvolvidos estão: voar, viajar no tempo, ler mentes, etc etc etc. Muito batido, não? Cientificismo barato? Verdade.

Mas Heroes é singular por suas personagens. Todas muito bem construídas, todas cativantes e reais de alguma forma. O emaranhado de relações formado capítulo após capítulo é delicioso. Tudo bem, tem mais um clichè entoando o todo: “o destino os liga”. Mas enfim, nada é perfeito.

A verdade é que esse seriado me fez engolir um bocado do meu orgulho, porque apesar de toda a crítica que eu fazia a ele – e, amigo, é muito fácil criticá-lo –, eu não podia negar que, capítulo após capítulo, eu me sentia mais impelido a continuar assistindo. Os roteiros são excelentes. O fluxo do texto é encantador.

E o final não deixa a desejar.

Eu ainda mantenho dúvidas quanto a segunda temporada. Pra mim, é impossível que ela seja tão cativante como a primeira e, no momento que a série cair no lugar-comum, vai ficar chato. Mas permita-se acompanhar a primeira temporada. Não há porquê se arrepender.



Gênero: Drama, Ação
Criado por: Tim Kring
Tempo de Duração: 42 minutos p/ episódio, aproximadamente
Lista de Episódios:
01 "Genesis" (Gênese)
02 "Don't Look Back" (Não Olhe Para Trás)
03 "One Giant Leap" (Um Grande Salto)
04 "Collision" (Colisão)
05 "Hiros" (Hiros)
06 "Better Halves" (Caras Metades)
07 "Nothing to hide" (Nada a Esconder)
08 "Seven minutes to midnight" (Sete Minutos Para Meia-Noite)
09 "Homecoming" (Indo para o lar)
10 "Six Months Ago" (Seis Meses Atrás)
11 "Fallout" (Inimizade*)
12 "Godsend" (Benção Divina)
13 "The Fix" (O Conserto, A Dose)
14 "Distractions" (Distrações)
15 "Run!" (Fuja!)
16 "Unexpected" (Inesperado)
17 "Company Man" (O Homem da Companhia)
18 "Parasite" (Parasita)
19 "0.07 Percent" (0.07 %)
20 "Five Years Gone" (Cinco Anos no Futuro)
21 "The Hard Part" (A Parte Difícil)
22 "Landslide" (Vitória Esmagadora Na Eleição)
23 "How to Stop a Exploding Man" (Como parar um homem que explode)



SITES PARA DOWNLOAD NA BARRA LATERAL

domingo, 17 de junho de 2007

Friday Nigth Lights

- - - de Tereza, para o na Vitrine.















Com Kyle Chandler e Conni Britton



Finalmente chega ao Brasil a muito bem falada série norte-americana sobre... futebol americano. Calma volta aqui, não é o que você está pensando. Não é preciso entender as regras do jogo ou pra que diabos um quaterback serve. A história é sim sobre futebol, mas poderia muito bem ser sobre uma sociedade pesqueira ou agrícola.
A proposta do seriado é mostrar o que acontece quando uma cidade se orienta ao redor de apenas um evento, nesse caso a temporada de futebol colegial.
O primeiro episódio trata do técnico Eric Taylor, que acabou de ser promovido pra head coach, na cidadezinha de Dillon, mais texana impossível, para treinar os Panthers, que vão começar a temporada sexta-feira. Diferente da forma clássica do conto de esporte, time/jogador/animal loser e desacreditado treina e se supera tanto que se torna o melhor, os Panthers não tem nenhum problema de reputação. Eles já são os melhores, dois de seus jogadores já são estrelas e tem o futuro garantido em universidades e até em times profissionais. O problema é corresponder a expectativa, continuar no topo. E aí acontece o jogo, não tão fácil quanto fora esperado. O ataque corresponde, mas a defesa apanha. Tudo parece que vai desandar, o que só piora quando a estrelinha do time, Jason Street, bom filho, bom aluno, bom amigo, excelente jogador, se acidenta.
Cabe ao quaterback reserva, que nunca tinha feito uma jogada importante, dar vida nova ao time e levá-los, quem sabe, à vitória. Em uma palavra, intenso.
Esse é basicamente o roteiro, mas se engana quem achar que é essa a questão. O clima de pessimismo e sufocamento é reforçado pela câmera nervosa e o tom cinza. Desde do primeiro lance (hehe) tem-se a impressão de uma tragédia iminente e sabe o que mais, pode ser muito bem isso que vá acontecer. Assuntos como racismo, religiosidade e a incapacidade de fugir do sistema são abordados. Dillon é uma panela de pressão prestes a estourar. Uma série diferente, com certeza
Reserve suas sexta-feiras, você pode se surpreender.

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Não Por Acaso

- - - de Rafael, para o na Vitrine.


- - - EM CARTAZ, ASSISTA! - - -

Título Original: Não por Acaso
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 90 min.
Direção: Philippe Barcinski
Site: http://www.naoporacaso.com.br/base.html

Sinopse: Um acidente de carro muda a vida de dois homens que gostam de levar a vida de forma programada. Com Rodrigo Santoro, Leonardo Medeiros, Cássia Kiss, Letícia Sabatella e Graziella Moretto.


"2 segundos podem mudar sua vida..."

Esse é um daqueles que você sai e tem orgulho do cinema brasileiro. É daqueles que você pára e pensa como existem grandes atores e grandes escritores nessa terra.

O filme tinha tudo pra ser complicado e confuso, porque as histórias construídas são bastante desconexas. Porém, o roteiro dá o perfeito sentido da coisa e, por um momento, você tem a perfeita impressão de que tudo é linearmente plausível. O filme tem seu tempo, suas jogadas. Ele respira, e volta.

Basicamente, é a história de dois homens. Ênio, que vê a vida com os olhos de um operador de tráfego; que trabalha observado a cidade de cima, bem de cima, e chega a comparar o comportamento humano ao de moléculas. Em suas palavras, o trânsito é um perfeito sistema descrito pela dinâmica dos fuidos, as rodovias fucionam como encanamentos por onde passa água. E pedro, um construtor de mesas de sinuca e também um exímio jogador. Prever as coisas, antecipar o terreno, manter tudo bem programado. São esses nossos protagonistas, que acabam sendo ligados por um único evento. Uma tragédia que poderia ter sido evitada por muito pouco, se fosse possível prevê-la. Como se fosse possível prever alguma coisa!

Destaque também para a trilha sonora, digamos, pouco convencional.

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Inesquecível

- - - de Rafael, para o na Vitrine.


Título Original: Inesquecível

Gênero: Drama
Tempo de Duração: 90 minutos
Direção: Paulo Sérgio de Almeida

Sinopse:
Um famoso ator vive o melhor momento de sua vida, tanto pessoal quanto profissional. Porém pouco antes de morrer ele descobre que sua esposa teve um caso rápido com seu melhor amigo. Com Murilo Benício, Caco Ciocler e Guilhermina Guinle.





Você pensa que a história é uma, você pense de novo, porque está enganado. E, na verdade, ninguém perde muito não se dando ao trabalho.


O filme é uma pequena crônica (pequena mesmo: uma hora e meia de filme) sobre um relacionamento com quê de triangulo amoroso, porém mal resolvido. É um pouco sobre os joguetes malvados da vida, um tanto sobre ciúme e desconfiança, e tudo de uma forma bem simplória.


Uma história singela, com roteiro singelo, interpretado por atores que poderiam ter sido menos singelos. É a singelesa desse filme que não me permite ir adiante. Basta.

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na Vitrine.