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sexta-feira, 3 de outubro de 2008

The Mist


- - - de Tereza_, para o na Vitrine.


Sabe aquele filme (ou livro, ou novela) que o final estraga tudo? São casos bem comuns, difícil é achar um final que faça tudo ficar melhor.
The Mist definitivamente se encaixa nessa raridade.
Fui assistir o filme sem saber muita coisa, além de que era um filme baseado em Stephen King (90% dos filmes baseados em Stephen King valem a pena), sobre um nevoeiro... que matava pessoas.
De ínicio eu já gostei porque o trabalho de câmera é espetacular. É por isso que eu assisto filme de terror inclusive, são os filmes com ângulos e técnicas de filmagem mais legais.
Mas um tentáculo gigante comedor de gente depois e eu já tava, putz filme de monstro, não gosto, monstro não assusta.
Pois é, ledo engano, porque o filme não é sobre monstros nada, e sim sobre pessoas presas numa situação de pressão e como isso é mais assustador do que tudo. Ponha na mistura uma pregadora do Apocalipse carismática e um revolver com dez balas e você tem um dos finais mais chocantes que eu já vi.
Não chocante pelo o que acontece, mas chocante por eles terem tido a coragem de te-lo feito (inclusive porque no conto original do SK o final é deixado em aberto). É quando você está assistindo um filme e percebe que ele seria perfeito se acabasse assim, mas você sabe que eles nunca fariam porque é muito... bom, melhor eu não falar o que, porque eu não quero estragar a surpresa. O negócio é que eles fazem assim e você demora pra processar o que aconteceu.
O filme em si não é perfeito, é meio arrastado em alguns pedaços, a trilha sonora é no máximo adequada e tem alguns efeitos especiais horríveis (embora todos os que se passam na névoa sejam muito eficientes), mas como eu disse, o final e atuações bem acima da média fazem relevar os defeitos.

ps: ah sim, só um último comentário para os fanáticos por Shyamalan como eu, The Mist é tudo que Fim dos Tempos poderia ser e não foi.

sábado, 22 de setembro de 2007

A Menina Ícaro

- - - de Rafael, para o na Vitrine.

"Pare. Não há nada.
Só eu, e eu peguei você."


Esse foi um dos livros mais surpreendentes da minha vida. Não pelo enredo em si (inclusive, não gostei nem um pouco do final), mas pela forma como ele é escrito. É simplesmente indizível o poder que Helen Oyeyemi, com não mais de 20 anos, possui sobre as palavras, misturando poesia com prosa e sensações muitíssimo nítidas.

A Menina Ícaro é a história de Jessamy Harrison, a Jess. Uma menina de oito anos, com um mundo muito próprio, caracterizado pelo medo de quase tudo que, muitas vezes, a leva a terríveis ataques de gritaria. Jess vive contradições nítidas em sua vida, como conviver com sua dupla naturalidade, nigeriana e inglesa; e presentes até mesmo nas relações díspares com o pai e com a mãe. Jess é uma menina bastante inteligente. Seu passatempo? Ler Shakespere com a mãe. No entanto, existem barreiras muito maiores que a própria mente que a impedem de se sentir confortável na escola. A convivência com as garotas brancas, provavelmente.

E então, presa nesse turbilhão de inconveniências, Jessamy conhece Tilly-Tilly. Uma amiga que lhe entende. Mas, quando Tilly-Tilly passa a lhe mostrar como é fácil magoar as pessoas, Jessamy percebe que não sabe quem é sua melhor amiga.

Além da carga emocional muito forte, as descrições por todo o livro, valorizando de maneira invejável todos os outros sentidos, além da visão, fazem de A Menina Ícaro um romance insubstituível, de um terror sutil e de um desespero maior que muita objetividade por aí.

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